16 de março de 2014

Macaíba e a 4ª cidade mais violenta da Grande Natal

Foto: José Aldenir
O município fica atrás apenas de Natal, Parnamirim e São José de Mipibu.

Os altos índices da criminalidade que assola Macaíba, distante 22 quilômetros de Natal, continuam tirando o sono dos moradores. Apenas no ano de 2013, 103 pessoas foram assassinadas no município e de acordo com dados do Conselho Estadual de Direitos Humanos já são 14 mortes este ano, uma confirmação de que as estatísticas de execuções e assassinatos continuam em alta. Apesar de uma trégua nas duas últimas semanas no número de homicídios, o clima de insegurança é uma constante nos bairros da cidade.

João Maria, morador da Rua São João, no Alfredo Mesquita, bairro onde fica localizado o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Macaíba – que foi alvo de uma rebelião na noite desta última sexta-feira (14) – conta que a comunidade já está se organizando para protestar contra a unidade no local. “Ontem foi um quebra-quebra e um barulho enorme. Nos sentimos muito inseguros e queremos fazer uma abaixo-assinado para que este CDP seja retirado daqui. Não deveria ser permitida a construção destes centros em bairros residenciais. Com certeza estes crimes que acompanhamos em toda a cidade acontecem tanto pela falta de policiamento como de punição para estes bandidos”.

Já o estudante Jefferson Florêncio, que reside há quatro anos na Rua Abel Couto, também próximo ao CDP, aponta a falta de policiamento como um dos grandes problemas para a escalada da violência. “A gente só vê polícia nas ruas quando morre uma pessoa. Graças a Deus nunca passei por assalto, mas conheço vários que sofreram algum tipo de violência. No Centro de Macaíba tem assalto quase todos os dias e não importa a hora, sendo que a maioria que comete estes assaltos são menores infratores e sabem que não vai dar em nada. Está complicado mesmo, precisa melhorar”, desabafou.

O feirante João Carlos de Araújo, que mora há 23 anos na cidade, revelou que há quatro anos a insegurança piorou em todos os bairros. “É muito difícil ver algum policiamento aqui, mesmo com assalto todo dia. De noite a gente não pode andar pelas ruas, que é assaltado. Só minha irmã foi assaltada três vezes. Infelizmente estamos à mercê dos bandidos”.

O motorista de transporte alternativo Damião Camilo também lamenta o que chama de falta de investimentos em segurança pública. “A segurança é zero. Nossa segurança é Deus. Qualquer pessoa que rodar pela cidade não vê nenhuma polícia. E mesmo quando tem homicídio a polícia demora e muito para chegar. Quando a gente vê um policial, ele está numa porta de banco, por exemplo. Eu mesmo fui assaltado em casa e o pior que a polícia demorou para chegar e quando chegou disse que sabia quem era o bandido, mas não podia fazer nada porque a região que ele se escondia era perigosa”.

Por Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com
Mais informações: O Jornal de Hoje