25 de março de 2014

Saúde Pública do Brasil em Debate: SUS uma reflexão da práxis



Foto ilustrativa

Podemos dizer que nosso sistema Público de Saúde tem legalmente 26 anos, a partir da constituição de 1988, mas sendo que as leis especificas para sua regulamentação se deu nos anos 90; Nesse processo histórico, muitas coisas foram sendo modificadas e melhoradas diante da análise de cada realidade, isto se chama práxis= ação reflexão= ação e todos os lutadores do movimento sanitário, lutaram e seguem lutando por um SUS real e democrático para o povo brasileiro, passaram-se governos de Direita e Esquerda e não conseguiram destruir este sistema que tem como princípios doutrinários Universalidade; Equidade e Integralidade, por tanto inclui nas entrelinhas justiça social, difícil por em prática dentro do sistema da política do capital, sendo que este sistema tem como princípio: Lucro; Mais valia e competitividade forjada através do liberalismo de mercado.

Já dizia o pai da medicina social que o Médico é o advogado natural do pobre, pois deve denunciar o obstáculo que impedem o desenvolvimento natural da vida...(Rudolf Vichow). Nesse sentido precisamos pensar tendo como foco de ação o povo, então deve ser sempre em curto, médio e longo prazo, muitas perguntas podem ser feitas sobre a vinda de médicos de outros países para contribuir nesse processo da acessibilidade de atendimento médico, em sentido geral, ou seja, APS no Brasil.

A realidade é que mais de 500 municípios tem falta de médicos, outros 1.000 municípios têm em situação precária, se pode perguntar: a vinda de médicos irá resolver o problema do sistema¿ à resposta é não, mas quando dividimos ações de curto, médio e longo prazo vai perceber que é necessário o atendimento de imediato, e seguir paralelamente com as outras ações.  O PROVAB – Programa de Valorização da atenção Básica, foi criado com intuito de interiorizar O SUS, mas o tiro saiu pela culatra, pois das oito mil vagas postas apenas quatro mil se inscreveram, e o Brasil necessita de 15 mil médicos para APS, como responder uma necessidade do povo, se não usando de uma possibilidade legítima que vários países do mundo o faz; o acordo de cooperação bilateral, digo países de primeiro mundo , devemos pensar também como Equipe de APS, então os outros profissionais da saúde precisam ser valorizados nesse contexto.

Não posso ser contra a vinda de médicos comprometidos com princípios da saúde pública irmãos internacionalistas; como entendedor de uma gestão que pensa no povo, nós devemos nos unir sem medo, sem amarras sem preconceitos, é fácil para aqueles que têm a oportunidade de ser atendido por médicos seja do SUS ou Privado, mas existe uma grande parcela que não tem nem de longe esta possibilidade, região norte é um exemplo fantástico.  Não precisamos destruir a capacidade teórica e prática de nenhum profissional com interesses de mercado ou de jogo político, A medicina é universal, os primeiros médicos brasileiros estudaram na França, lembram?

Quando pensamos em médio prazo sabemos que é preciso trabalhar com a infraestrutura e com a relação humana, valorizando o trabalho em equipe, e ainda estou pensando em nível Primário da Atenção à saúde, pois no Brasil faltam, Neurologistas, dermatologistas, Geriatras etc. Onde o Estado possa garantir saúde para todos e com acessibilidade garantida em todo o País.

A medicina cubana é reconhecida mundialmente não por que a mídia capitalista anuncia suas maravilhas ações, mas devido ao trabalho de cooperação internacionalista que Cuba oferece ao Mundo e com resultados magníficos, deixem Cuba mostrar seus méritos, brigadas no Haiti, na Venezuela, inclusive sendo professores nas faculdades desses países, na África, Afaguesnistâ, Equador entre outros, além de médicos de mais de 25 países formados em Cuba pela Escuela Latino Americana de Medicina. Não se pode questionar os conhecimentos teóricos e práticos desses experientes médicos, podemos sim exigir deles um compromisso com o que estudaram e usá-lo para o povo através de um sistema público de saúde que fiscaliza e atualiza seus profissionais.

Camaradas, Colegas e companheiros de luta vamos buscar construir nossa saúde pública nos pondo como um voluntário na batalha de idéias a favor de uma saúde Pública de qualidade.

O programa mais médicos, após cinco meses de prática apresenta dados importantes de atendimentos às comunidades e aos usuários dos SUS, já são 6.566 mil médicos em todo o país, com resultados importantes em número de atendimentos e associado a isso a sastifação do povo sendo muito boa, já iniciando o 4º ciclo do programa com uma aceitação maravilhosa por parte da população, ainda segue uma batalha de idéias com a corporação médica, e nesse sentido o programa requer modificações de adaptação permanente sempre para uma melhor qualidade do trabalho e do atendimento a população.

Por Josiano Macêdo de Lima

Médico da Reforma Agrária Formado em Cuba
Especialista em Médicina de Família e Comunidade
Conselheiro do COMAD - Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas
FORMADO NA ELAM CUBA 2006