10 de julho de 2014

Três pontos positivos na derrota da seleção

Por Otávio Maia

É difícil encontrar aspectos positivos no massacre sofrido contra a Alemanha, mas eles existem. E quando a ressaca passar, terão papel-chave na tentativa de reerguer o futebol brasileiro e mudar a sina de derrotas consecutivas para equipes europeias nas partidas decisivas em Copas do Mundo.

O primeiro é o próprio fato de que foi um massacre, que evidenciou ao mundo algumas das mais profundas deficiências do futebol nacional, seja de ordem técnica ou tática. Fez isso com uma força tão grande que ninguém mais poderá empurrar essas deficiências estruturais para debaixo do tapete. Fundamental, porque o primeiro passo para achar o remédio certo é ter o diagnóstico certo.

O segundo aspecto positivo da derrota é que ela aconteceu contra a Alemanha. O Brasil, com sua baixa autoestima, já absorveu a característica de algozes muito menos virtuosos. Trocou o futebol de classe pelo “jogo sério”, quando seu estilo plástico falhou diante de equipes mais burocráticas; abraçou os volantes e zagueiros, quando seus meias e atacantes acabaram anulados; passou de time mais caçado a time mais faltoso conforme colocou em cheque sua identidade. Tomar o planejamento alemão como referência será sem dúvida benigno.

Um terceiro ponto favorável na derrota é que ela dá uma lição de humildade ao futebol brasileiro, que ainda crê que a força da camisa, os lampejos dos seus craques e uma pitada de superstição são suficientes para triunfar sobre as mais poderosas seleções do mundo. Se existe um momento para rever dogmas e adotar soluções menos folclóricas é depois de tragédias como essa. 

Texto na íntegra:  cartacapital.com.br