2 de setembro de 2014

O Salvador da Pátria

Reflexões - Por Ionara Nunes 
 
Fico impressionada com o espírito público e cívico dos brasileiros. Eles, o "povo", querem morar em um país digno, desenvolvido, importante politicamente e que funcione bem, mas na hora contribuir para que isso aconteça...nada! É cômodo se manter na eterna irresponsabilidade, na eterna ingenuidade política, pois na hora que as coisas vão mal a culpa é de alguém, menos do "povo". As pessoas querem ver uma violência menor, mas investir no social é atacar fortemente a dignidade de muitos, as pessoas amam falar mal da escola pública ou o SUS, mas não querem se mobilizar junto com alunos e equipe escolar para melhorar o ensino, tampouco querem "perder tempo" dando a devida atenção aos filhos em casa, para que no futuro se tornem adultos responsáveis e comprometidos. 

A moda é repetir a música de Legião urbana "Que País é Esse", mas querer unir forças para a contribuição de uma nação mais digna e humana, de forma alguma, "estou muito ocupado para isso"...e nessa total, fora de moda e cínica irresponsabilidade, vem muito a calhar um "salvador da pátria", um messias que tire a nação do "caos". 

Nenhum governante fará as reformas necessárias em um país com 500 anos de descaso com o social se as pessoas não apoiarem a causa, não haverá uma real melhoria na vida das pessoas se elas próprias não fizerem o seu papel cotidiano...quando pararem de furar as filas da vida, quando pararem de esconder as verdadeiras contribuições dos impostos, quando perderem o medo da ascensão dos mais pobres, quando assumirem definitivamente sua responsabilidade na vida em vez de querer que a escola eduque os filhos, que o governo resolva tudo sozinho...querem saúde pública de qualidade, mas se submete ao plano de saúde fraco, querem escola pública de qualidade, mas se submete os filhos a uma escola particular medíocre, mas quando o assunto é vou fazer a minha parte...a voz é eloquente...responsabilidade? Minha? Não é do "salvador da Pátria"...