25 de outubro de 2014

Dilma e Aécio encerram campanha em debate nervoso

A dois dias do fim do segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) se encontraram para o último debate na televisão, na Rede Globo. Visivelmente nervosos, o encontro terminou marcado por gafe de Aécio Neves e desconstrução de matéria de capa da Veja.

Primeiro bloco

Com perguntas entre si, os candidatos demonstraram nervosismo. O primeiro bloco foi marcado pela gafe de Aécio Neves, que afirmou, em tom de denúncia, ter um documento do Ministério do Desenvolvimento Econômico, que não existe. Dilma corrigiu o tucano.

“Candidato, não tem Ministério do Desenvolvimento Econômico. Sempre que se financia uma empresa, as cláusulas de financiamento dizem respeito a essa empresa. As garantias são elas quem dão, não é Cuba. O governo FHC fez o mesmo empréstimo. Eu queria também que o senhor tivesse tanto zelo pela liberdade de informação nas suas empresas em Minas Gerais”, afirmou a presidenta.

Ainda no primeiro bloco, Aécio lembrou a reportagem feita por Veja, que curiosamente chegou às bancas nesta sexta-feira (24), quando o normal é que esteja disponível ao público aos domingos.

O texto de Veja afirma que o doleiro Alberto Yousseff, em depoimento à Polícia Federal, teria dito que Dilma e o ex-presidente Lula saberiam dos supostos desvios na Petrobras. A suposta denúncia já foi desmentida por Antonio Figueiredo Basto, advogado do doleiro.

Na resposta, Dilma voltou a atacar Veja, como já havia feito em seu programa no horário eleitoral desta sexta-feira (24). “Essa revista faz uma calúnia e uma difamação contra mim. Ela tentou dar um golpe eleitoral. O povo não é bobo, sabe que está sendo manipulada essa informação, pois não foi apresentada nenhuma prova”, afirmou.

Quando Dilma perguntou, quis saber do tucano sobre uma recente declaração de Armínio Fraga, anunciado por Aécio como seu ministro da Fazenda, caso este ganhe, de que o salário mínimo seria alto. O presidenciável do PSDB tergiversou e não respondeu a questão.

Segundo bloco

Na segunda parte, os candidatos responderam perguntas de eleitores indecisos, que formavam a plateia do debate. A primeira questão foi sobre moradia.

Dilma afirmou que irá estender “as faixas de renda para aquisição de imóveis no Minha Casa Minha Vida”. Aécio se comprometeu em ampliar o programa habitacional federal.

O segundo eleitor indeciso quis saber sobre educação. Aécio afirmou ter feito uma “revolução em Minas Gerais” e que pretende ampliá-la para o plano federal. Dilma disse que vai fazer 6 mil creches, “2 mil já estão feitas e outras 4 mil ainda serão construídas”.

A última pergunta dos indecisos foi sobre corrupção. A petista afirmou que “a lei é branda”, o que possibilita que o “corruptor evada”. Por isso, seu governo “criou mecanismos para investigar e deu autonomia à Polícia Federal”. Aécio Neves não respondeu e nem apresentou propostas para a dúvida da eleitora. O tucano preferiu atacar os petistas, afirmando que o antídoto para a corrupção seria “tirar o PT do poder.”

Terceiro bloco: Meu banho, minha vida

Aécio quis saber sobre reforma política e foi pego na contramão. “Candidato, eu acho que o senhor não tem interesse na reforma política”, desafiou Dilma, que emendou: “Com o fim do financiamento empresarial, acabaremos com a vergonha que é o sistema eleitoral brasileiro”.

Em seguida, Dilma afirmou que Aécio é incoerente, pois seu partido foi quem instituiu a reeleição no país, e agora o tucano quer retirá-la. O presidenciável do PSDB não explicou a contradição.

Dilma perguntou a Aécio sobre planejamento, com enfoque na crise de água enfrentada por São Paulo, e afirmou que o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) instaurou no estado o “meu banho, minha vida”. Aécio afirmou que a seca é um problema federal e não explicou a crise hídrica em São Paulo.

Quarto bloco

Os eleitores indecisos voltaram a perguntar no quarto bloco. Saneamento foi o primeiro tema. Aécio afirmou “que não vai terceirizar responsabilidades e é que é fundamental parceria com os municípios”. Dilma corrigiu o tucano, afirmando à eleitora que o presidente não pode agir diretamente nos estados e municípios, pois “é inconstitucional”.

A pergunta seguinte, vinda dos indecisos, foi sobre combate às drogas. Dilma voltou a falar da integração das polícias, modelo utilizado pelo governo federal durante a Copa do Mundo, e citou a ocupação militarizada da favela da Maré.

Aécio falou em realizar um “mutirão de resgate” e oferecer uma bolsa no valor do salário mínimo a jovens que optem por ficar ou voltar à escola.