7 de novembro de 2014

“Os médicos cubanos tocam na gente para examinar; os outros às vezes nem olham no nosso rosto”

Foto: Viomundo
Por Conceição Lemes (Viomundo)

Novo Hamburgo, capital nacional do Calçado, fica a 40 km de Porto Alegre (RS).

Até o ano passado, como a maioria das cidades brasileiras, esse município gaúcho tinha falta de médicos. Não era por escassez de recursos, mas por falta de profissionais para contratar.  Eram 160 para cuidar de 240 mil habitantes. Cobriam apenas 28% da população.

Em setembro de 2013, Novo Hamburgo recebeu os três primeiros médicos do programa Mais Médicos: duas argentinas e um brasileiro formado em Cuba. Hoje, são 40, dos quais 29 cubanos. Os demais são dois brasileiros formados fora do país (um em Cuba e uma na Venezuela), quatro argentinos, três uruguaios, um dominicano e um venezuelano.

O doutor Antonio Betancourt Léon é um deles. Foi o primeiro médico cubano a atender na Vila Palmeira, uma das áreas mais carentes da cidade. Chegou no início de 2014. Antes, trabalhou durante dois anos na Guiana Inglesa, num programa de Saúde da Família, parecido com o Mais Médicos, que visa à atenção básica de saúde, ou atenção primária.

Jaci da Silva Carvalho (69), Santa Emília Alves de Almeida (75 anos) e Roseline Quadros Abreu (35) são algumas das dezenas de pacientes que já passaram em consulta com ele. As três moram na Vila Palmeira.

Dona Jaci padece com uma ferida na perna, diagnosticada como úlcera varicosa, há seis anos.

– Quando começa a doer, fico louca. Me tratei no Hospital Operário. Depois, no posto de saúde Santo Afonso. Aí, faziam curativos a cada 15 dias. Não davam nenhum remédio para eu aguentar a dor na hora do curativo. Eu tinha que suportar tudo ali, no osso… Pior é que não melhorava. Eu pedia pra eles trocarem a pomada que eu usava em que casa, porque custava caro, eles não ligavam.

Matéria na íntegra: www.viomundo.com.br