21 de dezembro de 2014

O bem e o mal mora dentro de nós...


Por uma questão de humanidade, talvez o espírito do Natal esteja fazendo isso comigo, resolvi escrever esta semana sobre relações humanas e seus incríveis desdobramentos. Recentemente ouvi uma conversa de uma pessoa conhecida e ela falava da falsidade das amigas e amigos e da maldade que está vencendo... muito bem, a eterna disputa do bem e do mal...

Pois muito bem, vocês poderão ficar chocados, mas essa história de bem e mal é uma questão de ponto de vista, isso mesmo, ponto de vista. O ser humano, em sua imensa complexidade, apresenta em diversos momentos de sua vida características perversas, falsas, mentirosas, hipócritas, mesquinhas, arrogantes, etc. Curiosamente, o mesmo ser humano que é capaz de todos esses monstruosos pecados, também é capaz de ajudar o próximo, de ser solidário, de fazer caridade, de ser humilde, de perdoar e também pedir perdão... diz o ditado "Que ninguém é tão mau que um dia não possa fazer o bem ou tão bom que um dia não possa fazer o mal"... e é a mais pura verdade. O ser humano tem essa dicotomia dentro dele: o bem e o mal, o yin e o yang, o positivo e o negativo.

Não vejo o bem como exclusividade dos "que procuram Deus nas igrejas", nem o mal "nos que não procuram Deus nas igrejas"... é possível estar numa igreja e cometer atrocidades e é possível ser um santo fora dela, mas isso não é o ponto chave.

O importante é perceber que nós, os seres humanos, temos os nossos imensos defeitos e as nossas imensas virtudes e ninguém é exclusivamente bom ou mal, somos uma mistura das duas coisas e o que vai prevalecer em nossa vida são as nossas escolhas e as suas consequências... boas ou ruins e ninguém poderá fugir...

Quando o defeito do outro, ou o mal de alguém nos incomoda, mesmo que seja contra nós diretamente, a psicologia já explica, não é o mal tentando vencer o bem, na verdade todos nós temos problemas de ordem interna, quer sejam inseguranças, medos, invejas, culpas, dores... e o efeito negativo da ação do outro em nós na verdade é aquele sentimento negativo que sempre esteve guardado e não trabalhado que precisou apenas de um gatilho para aflorar e certamente causa incômodo.

Esse incômodo não é ruim, na verdade é uma oportunidade de trabalhar em nós emoções negativas que estão atrasando nossa vida, uma boa experiência para reflexão, para se perguntar: por que tal atitude de tal pessoa me incomoda tanto? Por que eu fico tão irritado ou sofro com isso? Aí é a oportunidade de trabalhar o problema interno e descobrir as razões... e se isso acontecer, poderemos ver no futuro, após a superação dessa fase, quando passarmos para outra, mais avançada, que aquilo já não incomoda mais e começamos a rir perguntando: por que eu dei tanto valor a isso? Aí é o sinal da cura... porque sentimentos de maledicência, raiva, inveja, dor, culpa, medo, todos iremos ter e provocar, pois ninguém é santo e o outro não é o mal e eu não sou o bom... tudo é uma questão de assumir a própria humanidade e querer melhorar...