9 de dezembro de 2014

O problema não são os governos, mas os corvos

Por Carlos Alberto - Nominuto

Desde que o Brasil virou uma República o problema do nosso país não são os governos como instituição, mas sim os corvos da política, sejam eles da situação ou da oposição.

Vou citar casos recentes para melhor compreensão do que estou a dizer. Getúlio Vargas se suicídio porque estavam acusando o seu governo de estar coberto de lama. O seu corvo naquela época chamava-se Carlos Lacerda.

Jango – João Goulart – foi deposto porque também existiam corvos políticos contra o seu governo e entre eles, pasme, estava Carlos Lacerda. Aliás, Lacerda serviu como corvo ainda aos governos de JK (Juscelino Kubitschek) e Jânio Quadros, a quem ajudou eleger.

A política brasileira, a bem da verdade, sempre foi bem servida de corvos. A novidade agora é que os corvos também estão infiltrados em outros poderes, além do Legislativo e Executivo.

No governo Fernando Collor, os corvos também agiram, mas só obtiveram sucesso porque Collor confiscou a poupança do povo. Os corvos congressistas estavam revoltados porque Collor não lhes dava atenção. Daí instalaram o processo de impeachment com o respaldo popular.

Longe de mim defender Collor, mas um Fiat Elba derrubou o ex-presidente. Pedro Collor, irmão do presidente, concedeu entrevista à Veja – sempre ela – em maio de 1992, denunciando um esquema de lavagem de dinheiro no exterior comandado por Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha eleitoral de 1989. Collor acusou o irmão de insanidade mental – desmentida por exames.

As ligações do presidente com os golpes de PC ficaram evidentes. Um carro Fiat Elba para uso pessoal do presidente foi comprado com dinheiro vindo das contas fantasmas do tesoureiro de campanha. Em agosto de 1992, o motorista Eriberto França contou à IstoÉ como levava contas de Collor para serem pagas por empresas de fachada de PC.

Hoje, os corvos continuam atuando na política e parece com mais intensidade. Não que seja novidade, pois que o próprio delator do esquema de corrupção na Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, revelou na CPMI que esquemas de propinas envolvendo estatais ocorrem desde o governo Sarney, primeiro presidente empossado após o processo de redemocratização do país.

Quando falo que o problema do Brasil não são os governos, mas os corvos políticos que os cercam, me refiro principalmente àqueles que se aproveitam para cobrar faturas por apoios políticos ou doação de dinheiro em épocas de campanhas, vide as empreiteiras, por exemplo. Mas agora há outro tipo de corvo. Àqueles que servem a algum partido político que atuam no Judiciário.

Repito o que já disse em outros Editoriais: enquanto os governos dependerem da tal “governabilidade” para governar o país, existirão corvos políticos para extorquirem os cofres da Nação.