2 de dezembro de 2014

Somos mesmo cidadãos?

Reflexões - Por Ionara Nunes

Recentemente tenho caminhado mais pelas ruas, andado mais a pé, tomado um sol na cara... enfim, resolvi por conta própria descer um pouco do carro e aproveitar o passeio público, o transporte público, a simplicidade para não ficar tão sedentária. Já observava como as coisas são, mas confesso, mesmo nos bairros nobres da capital potiguar, que algo que me deixou triste. As ruas não foram feitas para as pessoas, foram feitas para o bem estar dos carros. Infelizmente.

Não tenho nada contra carros, afinal, o transporte público é precário, mas exatamente por isso é que surge essa crítica. Desde que nossa história existe, a divisão também existe e as pessoas são absolutamente excluídas. A cidadania da Constituição não é posta em prática, nunca foi, pelo menos não na sua totalidade.

A escravidão foi abolida, mas será que foi totalmente? A Carta magna fala de educação e saúde para todos, como direito de todos, mas sinceramente, mesmo existindo escolas e hospitais, só quem paga a mais pode ter acesso a um tratamento decente. A pergunta que não quer calar: se já pagamos impostos, pois nada vem de graça, por que precisamos pagar a mais para termos cidadania? A nossa sociedade reforça a exclusão, pois não raciocina no sentido de cobrar por serviços públicos de qualidade, aceitando passivamente ter que pagar duas vezes por um serviço já pago.

Fico pensando sempre: por que nosso conceito e cidadania passa pela palavra pagamento? E por que os serviços para funcionarem tem que ser mantidos pelos impostos e depois ser pagos? Não sou contra a iniciativa privada ou serviços de natureza privada, mas não dá mais para ver obras públicas e olhar com desdém porque "é do governo"... afinal quem é o governo? Quem o mantém? Nossas praças, calçadas, transporte, passeios, estão degradados e depredados... nem as calçadas de Petrópolis escapam das pedras saindo fora do quadro... imagino se um idoso estiver andando e topar... pois bem, diante de uma cidadania tão frágil e precária, cabe o questionamento; somos mesmo cidadãos?