24 de janeiro de 2015

Quem tem medo dos pelos femininos?

Imagem via Prag. Político
 
Por que os pelos corporais femininos incomodam tanto, são tão ofensivos, sujos, anti-higiênicos, imorais, obscenos, pervertidos?

(Aliás, menos os pelos do topo da cabeça, claro: esses são considerados importantíssimos, definidores de feminilidade, dignos de gastos enormes em produtos e serviços, ao ponto que, quando ando com minha companheira de cabeça raspada, ela causa mais surpresa e consternação do que se tivesse arrancado um braço e não apenas pelos.)

O que nos assusta não são pelos, é a sexualidade feminina. Uma mulher com pelos no corpo é uma primata adulta, madura, pronta para usar e dispor de sua própria sexualidade. Naturalmente, nossa sociedade outrofóbica não pode tolerar uma liberdade dessas: metade das nossas leis e costumes ancestrais têm como objetivo explícito conter a sexualidade das mulheres. Não queremos mulheres adultas e sim seres assexuais e impúberes, sem pelos justamente nas áreas onde a existência de pelos indica maturidade, para que possamos nos enganar que, na verdade, não têm sexualidade, não têm desejos, não cagam, não suam, não gozam.

(E, naturalmente, quando esses seres impúberes, assexuais e angelicais se dignam a transar conosco, é porque somos a exceção, é porque somos especiais, como não?!)

O tabu dos pelos corporais femininos só existe pois eles são um lembrete visual e concreto de que as mulheres adultas são primatas que fodem.