10 de fevereiro de 2015

A dura e maravilhosa tarefa de ser mulher...

 
Sou de uma família de mulheres que comandam. Cada uma delas, a seu modo, tem uma história de liderança familiar e todas elas não abdicaram da vida doméstica, do lar, mas também não abdicaram da vida fora de casa, do trabalho fora.

Já em outra época, Francisca Alves, minha bisavó, fazendeira da cidade de Angicos, ficou viúva e continuou, em uma época que os filhos homens deveriam assumir o lugar do pai morto no comando dos bens, continuou comprando e vendendo gado, transformando o gado em imóveis e por aí vai...

Parece estranho que uma história tão antiga ganhe destaque, mas ainda hoje, em pleno 2015, mulheres ainda ganham menos que os homens e muitas delas, mesmo donas de seus negócios, gerentes de grandes empresas, políticas e da mídia ainda sofram tanto preconceito, tanta discriminação... ainda ouçam que se escolher muito um parceiro vai ficar sozinha, como se não tivessem de escolher alguém que as ame e respeite de verdade, como se não tivessem direito a ter vez e voz...

Francisca Alves viveu em uma época onde seria inimaginável uma mulher comandar e comandou, era respeitada em sua cidade. Em seu velório, vários ônibus doados dos políticos para que as pessoas da região fossem dizer o último adeus a uma mulher que viveu, intensamente e fortemente, até os 105 anos de idade, a cidade de Angicos simplesmente parou...

Eu também estava lá, muito criança, não entendi muito, mas ao ver no caixão uma velhinha tão pequena, branca e frágil e ao ver sua foto na parede nos tempos de juventude, pude perceber que é possível sim, para todas as mulheres, liderar, ter amor, filhos, família, carreira e como no caso dela, beleza... sim, além de tudo foi lindíssima... essa é a simples história de uma mulher do interior, mas poderia ser a de tantas mulheres, tantas Marias, Franciscas ou Joanas, mulheres que não são guerreiras, porque não viemos ao mundo para guerrear com ninguém, viemos ao mundo para vencer sim, mas pelo trabalho honesto, pelo amor, pela inteligência e também pela beleza.

Quando vejo a mídia tratar as mulheres fortes com o adjetivo de guerreira tenho é pena, pois nós não estamos aqui neste mundo para travar batalhas sangrentas, estamos aqui para conquistar tudo o que quisermos, pois temos isso naturalmente em nós, não somos guerreiras, somos deusas!