17 de fevereiro de 2015

Carnaval, beijo gay e preconceito: beije mesmo!


Blog da Nina Lemos/Yahoo: Parecia que tudo ía muito bem no Carnaval de 2015, tudo muito moderno, com gosto de século 21. Em Salvador, as cantoras Daniela Mercury, e Ivete Sangalo promoveram beijaços gays. Daniela, casada de papel passado com outra mulher e ativista dos direitos gays e das mulheres, ainda  promoveu uma folia feminista.

No Rio, escolas de samba como a Mocidade Independente expuseram casais nus, de todos os sexos, em uma folia pagã. Tudo muito moderno.

Até que o ator Theodoro Cochrane, filho da apresentadora Maríia Gabriela, ficou com um cara em Salvador. Tem coisa mais normal? E por que eu estou escrevendo isso? Por que estou me metendo na vida de alguém nesse blog, um espaço público?

É claro que o beijo de Theodoro não devia ser assunto. Nem nesse blog, nem em lugar nenhum. Mas acontece que um grande portal de noticias “flagrou” o beijo. E a “notícia”, e a foto do beijo, ficaram no ar por mais de 12 horas como um dos assuntos mais “vistos” do dia. Um dia em que teve Mangueira na avenida, Paulo Barros e uma infinidade de assuntos.

Cadê a modernidade que estava aqui do lado? Desde quando um homem beijar outro homem é um escândalo? A gente não teve até beijo gay em novela da Globo. A gente não tinha evoluído?

Theodoro nem é uma celebridade, mas um ator iniciante e figura simpática da noite de São Paulo. Ele vira notícia porque, além de beijar um homem, é filho da apresentadora Marilia Gabriela.  E se Theodoro estivesse beijando uma menina? Seria notícia? E se Theodoro não fosse filho de Marilia Gabriela, seria notícia?

Em sua página no Facebook, o deputado Jean Wyllys promoveu um “beijaço” pessoal. E publicou uma foto sua beijando outro homem em solidariedade a Theodoro e disse: “beije mesmo.” Outros ativistas já começam a fazer o mesmo. Que bom. Beije mesmo!