9 de abril de 2015

O vencedor

Reflexões - Por Ionara Nunes

Eis que ele está em casa, de volta para nós. Eu como filha posso dizer que é muito bom ver o pai vivo em casa. Ainda com escoriações e mancando, de muletas e reclamando de dores, mas dormindo tranquilo em sua cama, no conforto de seu lar. Foram ao todo catorze dias de agonias e forçado controle emocional, em alguns momentos a revolta por ver alguém que estava ótimo agora deitado...mas o que fica mesmo é o sentimento que supera as picuinhas, os defeitos, os problemas.

Quando chegou, um grupo à sua espera, os amigos, os companheiros da entidade assistencial, da irmandade que frequenta, que ajuda a coordenar. Nesses dias de internamento, foram muitas visitas, ligações, orações, gente de perto e de muito longe, estou feliz apesar de tudo, estou vendo que o bem que fazemos é nosso advogado por toda parte. Nos seus setenta e oito anos de vida, grande parte foram e são dedicados a obras assistenciais, de cuidado aos irmãos que precisam. Diz uma música evangélica que existe um "campeão, vencedor"...sim, ele é isso mesmo um vencedor, um campeão, mas sua vitória não se deve a estar vivo neste momento, mas a estar vivo desde que nasceu na miséria no Seridó, vindo a Natal para fugir dela, se estabelecendo em Macaíba com um esposa de imensa fibra e amor.

Ele poderia ter nascido morto, como alguns de seus irmãos, poderia ter morrido de fome na seca como filho de sertanejos miseráveis, como alguns de seus vizinhos, poderia ter morrido bêbado, ou ter alguma sequela dos vícios do passado, poderia, como viu muitos dos parentes e amigos, estar ainda sofrendo com doenças ou pela pobreza, mas resistiu a tudo, viu os parentes e melhores amigos irem embora muito cedo e agora mais essa, por tudo isso, só posso dizer, eu não tenho derrotas para contar, apenas vitórias, pois sou filha de um campeão, um vencedor.