6 de maio de 2015

“Dos 392 professores feridos, mais de 90% foram atingidos da cintura para cima: cabeça, tronco, rosto, até nos olhos”

Elaine Antunes, Marcio Henrique dos Santos, Affonso Cardoso e Cláudio Franco. Cláudio é agente penitenciário e professor da rede particular de ensino
por Conceição Lemes

Curitiba, 29 de abril de 2015. Pela manhã, professores, funcionários da rede estadual de ensino e de outras categorias do serviço público do Paraná começaram a chegar à Praça dos Três Poderes. O Centro Cívico da cidade. Aí, ficam a Assembleia Legislativa (Alep), o Palácio Iguaçu (sede do governo do Estado) e o Tribunal de Justiça.

Já havia policiais a postos, por todo lado. O governador Beto Richa (PSDB) trouxe 1.600 do interior, que se juntaram aos 4 mil de Curitiba e Região Metropolitana. Eles ficaram se revezando.

Os trabalhadores resolveram permanecer o dia todo em frente à Alep para fazer pressão sobre os deputados estaduais para que não votassem o projeto de lei que confisca a poupança previdenciária de 200 mil servidores públicos do Estado. A votação estava prevista para as 14h30.

O projeto, agora lei aprovada pelos parlamentares e já sancionada por Richa, permite ao governo tucano sacar mensalmente R$ 150 milhões – ou R$ 2 bilhões ao ano em valores corrigidos – do fundo ParanaPrevidência.

Havia uma liminar para que 480 trabalhadores acompanhassem a votação dentro da Assembleia. Só que o Tribunal de Justiça cassou-a.

Por volta das 14h, um grupo de deputados pró-professores foi até o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), para tentar convencê-lo a liberar a entrada dos 480.
 
O presidente da Assembleia não liberou o acesso nem mesmo dos diretores da APP-Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Estado do Paraná.

Parêntese. APP significa Associação dos Professores do Paraná (APP). Como até 1988, funcionário público não podia ser sindicalizado, os professores criaram-na . A partir de 1989, a proibição caiu e os professores puderem criar o seu sindicato. Só que eles quiseram manter a marca APP. O sindicato é de professores e funcionários de escolas públicas.  Fechando o parêntese.

Texto na íntegra: www.viomundo.com.br