18 de maio de 2015

Figurinista potiguar recebe reconhecimento internacional

Fábio Cortez / NJ

O figurinista, mas também diretor, cenógrafo, maquiador e ator, João Marcelino (56) acaba de receber um importante reconhecimento internacional. Seu figurino, criado especialmente para o espetáculo “Quintal de Luís” (Grupo Estação de Teatro/2014) foi selecionado para participar da “13ª Quadrienal de Praga: Espaço e Design da Performance”, realizada na capital da República Tcheca entre os dias 18 e 28 de junho.

O evento é considerado o maior do mundo na sua área, reunindo um grande recorte contemporâneo dos trabalhos mais recentes produzidos em todos os cinco continentes. Por lá, todos os elementos da performance se encontram: figurinos, palco, iluminação, sonoplastia, e arquitetura teatral para dança, ópera, teatro, site specific, performances multididáticas e artes performáticas.

Patrocinada pelo Ministério da Cultura da República Tcheca e realizada pelo Instituto de Artes e Teatro de Praga, a quadrienal ocorre desde 1967, e desde a sua edição anterior já contava com a presença de mais potiguares - os Clowns de Shakespeare, que na ocasião obtiveram o prêmio máximo do evento, a “Triga de Ouro”, com o espetáculo “Sua Incelença, Ricardo III”.

João Marcelino foi selecionado pelos curadores brasileiros que tiveram acesso ao seu trabalho a partir das redes sociais, já que o figurinista é adepto ao Facebook, e também ao Pinterest, uma importante ferramenta para arquitetos e artistas visuais do mundo inteiro por facilitar o compartilhamento de referências imagéticas.

“Na verdade foi através da Rosane Muniz, que é uma das curadoras brasileiras, e ela já conhecia o meu trabalho, então me pediu que enviasse os croquis e algumas fotografias para apreciação, até que recebi a confirmação de que o meu figurino havia sido escolhido”, explica João Marcelino.

Ao contrário do que se pode imaginar, o figurino em questão (foto) vai permanecer com o Grupo Estação de Teatro, atualmente em circulação nacional pelo Palco Giratório (Sesc). Apenas os croquis originais da roupa vão para Praga, acompanhados de fotografias pousadas do figurino, e também de fotografias da roupa em cena.

Nesta edição, a Quadrienal de Praga vai apresentar trabalhos de mais de 70 países, dos cinco continentes. João Marcelino está inserido na seção dos “Países e Regiões”, representando o Brasil junto com outros diversos artistas nacionais, ligados de alguma forma à arte performática.

“Reúne tudo mesmo no que diz respeito ao desenho de cena nessa grande exposição”, reforça João Marcelino, garantindo que o reconhecimento internacional do figurino idealizado para o Quintal de Luís não torna esse trabalho mais especial do que seus projetos anteriores, visto que “a entrega é a mesma para cada peça”.

“Acho que vários fatores levaram à escolha desse projeto específico, até porque a quadrienal esse ano tem uma aproximação maior com espetáculos de rua, assim como é o Quintal de Luís, mas todos tem o mesmo grau de importância porque eu termino me envolvendo muito intensamente com todos eles. É como amores, cada um tem o seu grau de importância ao longo da vida”, compara.

Além de participar com a exposição do figurino, João Marcelino também foi convidado a colaborar em outra mostra do evento, onde será montada uma grande exposição reunindo esferas de alumínio nas quais artistas de todo o mundo foram convidados a representar uma reflexão artística pessoal no interior destas esferas.

“Fomos convidados a fazer uma reflexão artística dos nossos trabalhos no interior dessa esfera de alumínio. Eles mandaram essas esferas para a gente, e eu já concluí e enviei a minha”, detalha sobre a instalação que provavelmente será um grande atrativo entre as exposições montadas.

Ainda de acordo com as informações que João Marcelino obteve da representação nacional do evento, essa exposição também deverá chegar ao Brasil, mas sem data marcada, por enquanto. O local que deverá receber a mostra de Praga é a cidade de Brasília.

“Acho que esse reconhecimento é bom não somente para mim, e sim para toda uma comunidade artística potiguar, porque as pessoas que trabalham com teatro precisam de um crédito como esse, sobretudo na esfera nacional, sem falar que essa grande exposição acaba sendo um lugar de diálogo com o mundo inteiro”, avalia.

Por Henrique Arruda
Fonte: www.novojornal.jor.br