19 de maio de 2015

O negócio da política e o sentimento de propriedade da gestão pública municipal

Complexo Turístico (Lagoa das Pedras)

Por Jair Macêdo - Cidadão Macaibense

O patrimonialismo é um termo utilizado para caracterizar o Estado que não possui distinções entre o público e os limites do privado. Para alguns estudiosos, o Brasil traz em suas raízes históricas herança de uma sociedade colonial escravocrata dividida entre a aversão ao trabalho da família patriarcal, habitante da casa grande, em face aos trabalhadores escravizados, amontados nas senzalas.

Revisitando a memoria e a historia tem-se a impressão de que a organização estatal foi e continua sendo propriedade onde o sentimento familiar é transportado para as repartições de estado. Alguém tem alguma duvida dessa afirmação?. Pois muito bem!. Vale destaque para uma espécie de versão moderna dessa pratica.

Tem sido cada vez maior presença do empresariado moderno financiando e determinando as decisões políticas nos parlamentos nas três esferas administrativas do nosso país. Alguém pode até achar algo normal. Tudo bem?!. Conforme a Constituição Federal  de 88,  todo poder emana do povo. Será?. Deveria! Esta é a essência da republica. Porem, no mundo real, as grandes empresas que financiaram seus candidatos ajudaram a eleger 70% a câmara federal dessa legislatura. Será que eles vão defender os seus interesses?. Diante desse contexto,  a população assiste um verdadeiro sequestro a democracia.

Esta situação é resultado de um sistema político que já não representa mais as condições e complexidades da atual sociedade brasileira. Por isso, o debate a respeito da reforma política precisa ganhar as ruas. Porem, não pode ser qualquer reforma, centrada na cabeça conservadora desse congresso eleito. Por isso, uma constituinte exclusiva para tratar do tema seria o caminho.

A ausência da participação e o sentimento da antipolitica abrem precedentes para todo tipo de deformações, fragilizando a democracia e possibilitando a apropriação do espaço publico como propriedade de alguns. Os efeitos danosos  da não distinção entre o publico e o privado, somado ao sentimento de propriedade também promove o abandono de empreendimentos construídos, ou que deveriam ser construídos e acabados, na maioria dos casos são abandonados.

Box no Mercado Público
Nos municípios, tem sido cada vez mais comum o prefeito não ter qualquer zelo por determinado empreendimento construído e/ou deixado por seu antecessor. Alguma duvida? Vejam estas imagens recentes do mercado publico de Macaíba. Simplesmente porque não foi o prefeito quem reformou, não tem manutenção dos box's, estão fechados e outros a ferrugem toma conta.

Existem outros exemplos espalhado pela cidade. Por outro lado, o fato de algo assim, não deixar a população indignada reside na ideia de que ao longo da era cunha, o prefeito  não conseguiu sequer concluir aquilo que ele mesmo iniciou. Cito dois empreendimentos. Complexo cultural da Lagoa das Pedras e a Vila Olímpica. Como um governo que não consegue concluir suas obras, vai revitalizar algo que não tem como obra sua?. Assim caminham os herdeiros da casa grande macaibense mantendo e garantido a sucessão de membros da mesma família na política, nas varias instâncias.

Em Macaíba, quem lembra os nomes dos candidatos a deputados federal e estadual  apoiados pelo prefeito na ultima campanha? Vamos lembrar, foram eles: Ricardo Motta (PROS) para Deputado Estadual e o Filho Rafael Motta, também do PROS para Federal. Pois bem! Ambos foram eleitos, assim se perpetuam no poder legitimados pela população. Afinal todo poder emana do povo. Numa democracia onde poucas famílias tem tantos recursos  e muitos, aqueles que os elegeram  tem tão pouco.