5 de maio de 2015

Ruas mais estreitas, calçadas mais largas...

Reflexões - Por Ionara Nunes
 
Recentemente venho observando a grandiosa proliferação de carros nas ruas e em contrapartida o estreitamento e esquecimento das calçadas. É absolutamente raro nos dias atuais encontrar ruas com calçadas largas, planas e rebaixadas para os cadeirantes, estes então são os que mais sofrem.

Estava eu passeando por um certo bairro tradicional de Natal e vi um idoso quase cair ao topar em um passeio elevado do prédio de frente que dava para a saída da garagem. Simplesmente ele não percebeu que o passeio elevado estava lá e quase se machucou. Ao ver de longe a cena e a dificuldade da pessoa que o acompanhava para levantá-lo, percebi que não só ele, mas qualquer pessoa, que possa andar ou não, está sujeita a se machucar com os buracos de nossas péssimas calçadas, e ainda tem o mais agravante, elas, as calçadas, se por um lado são esburacadas, por outro estão com veículos tomando o espaço dos pedestres.

Vivemos nós uma inversão de valores tão profunda que as máquinas se tornaram mais importantes que as pessoas? Por acaso calçadas não foram feitas para as pessoas andarem nelas? Por que privilegiar as ruas, que devem ser também cuidadas, se por elas trafegam veículos que também são guiados por pessoas que terão de estacionar e virar pedestres?

E por que os carros não podem estar estacionados nas ruas? Certamente alguém dirá que não há mais espaço para os carros nas ruas e por isso as calçadas são tomadas, porém faço a seguinte indagação: todos precisam realmente sair exatamente ao mesmo tempo em seus veículos? O transporte público não deveria ser uma excelente alternativa para tal? As ciclovias também não deveriam ser outra alternativa, pois estacionar uma bicicleta ocupa menos espaço?

Infelizmente, a nossa educação ainda não nos permite superar o pensamento medíocre de que andar a pé, de ônibus ou de bicicleta é "coisa de pobre" e o que provoca a reação em cadeia que faz todos quererem ter um ou dois carros porque o transporte público é muito precário e andar a pé nas ruas é perigoso...