14 de julho de 2015

O Plano Fracassado do Prefeito

Política e Poder - Por Jefferson Lázaro

Há dois anos, desde que fiz parte dos protestos de junho de 2013, época em que tive minha consciência política despertada, tenho me esforçado, ininterruptamente, na busca por novos conhecimentos e pensamentos relacionados ao campo da política.

Isso porque, logo cedo, ainda no calor das manifestações, entendi que a única estratégia política capaz de impor uma derrota eleitoral aos Patrões da política local seria uma estratégia baseada no confronto de ideias, isto é, baseada em nossas crenças e em nossos valores. Este é o ponto fraco da maioria dos políticos de Macaíba, cujo verdadeiro poder não se encontra exatamente no dinheiro que possuem, mas na falta de consciência política dos cidadãos. Querem ver um exemplo?

Na semana passada, em virtude da greve dos agentes de saúde e combate às endemias do nosso município, o prefeito mostrou que não é por acaso - ou por sorte – que ele está há tanto tempo no poder. Fato é que, ao publicar uma nota de esclarecimento no site da prefeitura, na qual ele se refere à greve dos servidores como sendo uma “antecipação de luta eleitoral partidária” e, pasmem, uma “perigosa aventura política de uns poucos [¹]”, o prefeito iniciou um plano de ação, cuja estratégia consistia na propagação em massa de atos falsos e inverdades, numa tentativa política de desqualificação e enfraquecimento da luta dos agentes de saúde – a ideia era fazer o povo acreditar que os verdadeiros motivos pelos quais os agentes de saúde estavam em greve não eram exatamente reivindicações de causas trabalhistas, mas motivos políticos, que visavam provocar um desgaste da imagem política do doutor, haja vista que, próximo ano, haverá disputa eleitoral. Concluída essa parte do plano, faltava, apenas, colocar em prática a segunda etapa, que consistia em espalhar, por todos os cantos e recantos de Macaíba, e em especial pelas chamadas redes sociais, a dita nota do prefeito.

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Para colocar em prática essa parte do plano, eis que surgem no Facebook, vindo de todos os lugares, e sob todas as formas (inclusive escondidos por trás de “fakes [²]”), os cangaceiros online do prefeito. Os homens de ferro da prefeitura. A tropa de elite do doutor - teve um deles que, para mostrar serviço ao patrão (leia-se prefeito), chegou até a dizer “Os caras não trabalham, e recebem, e ainda fazem greve... Bota logo falta. Quando eles virem o salário faltado dinheiro, num instante ele voltam a trabalhar” [Imagem ao lado]. Por sua vez, o patrão não economizou no gasto de recursos públicos ao espalhar carros de som por toda a cidade, como forma de garantir que o seu plano desse certo. Ele só se esqueceu de uma coisa: combinar com o povo.

Ora, quem seria tolo de acreditar que os agentes de saúde e combate às endemias, aqueles homens e mulheres que visitam frequentemente as nossas casas, que nos atendem nos postos de saúde, e que muitos deles são nossos amigos, vizinhos e até parentes, seriam de tal forma imprudentes ao preferirem realizar, ao pingo do meio dia, uma manifestação de rua ao invés de negociar e resolver logo o problema? Quem seria o cidadão macaibense que, de posse de boas intenções, deixaria de acreditar nesses trabalhadores e trabalhadoras - que tão importante serviço presta ao povo deste município - para acreditar na palavra de um prefeito que só lembra que o povo existe em época de campanha eleitoral? Obviamente que esse plano só poderia ter fracassado.

Felizmente, caros leitores, desta vez o prefeito não logrou êxito em seu intento. Mas, ano que vem, será ano de campanha eleitoral. A propósito, já que o prefeito faz tanta questão de falar sobre antecipação da campanha eleitoral, gostaria de dizer que, no próximo ano, ele não medirá esforços para manter-se no poder. Já sabemos do que o prefeito é capaz.

Por fim, voltando à discussão inicial, precisamos cada vez mais formar cidadãos e cidadãs conscientes do ponto de vista político, e que sejam capazes de discernir entre o bom político, aquele que está do lado do povo, e o mal político, aquele que se beneficia da ignorância política do povo - mas essa é uma questão para ser tratado em um próximo artigo.
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Notas:
1- Até parece que o prefeito está se referindo a um grupo terrorista.
2- Fake: diz-se de pessoa que usa perfil falso no Facebook.