25 de agosto de 2015

Análise Política da Câmara Municipal de Macaíba

Política e Poder - Por Jefferson Lázaro

No artigo da semana passada fiz uma breve discussão sobre o princípio da separação dos três Poderes, assim como duras criticas ao presidente da Câmara, Gerson Lima, por sua postura bajuladora em relação ao prefeito e por ele ter transformado a Câmara numa mera Secretária Municipal da Prefeitura. Hoje, farei uma análise política sobre a conjuntura interna da Câmara.

Foto: Internet/Google

A Câmara Municipal de Macaíba é composta por 13 vereadores, sendo sete homens e seis mulheres, a saber: Edvaldo Emídio (PMDB), Silvan Freitas (PROS), Rita de Cássia (PROS), Luizinho (PSB), Socorro Nogueira (PROS), Rodrigo Nasser (PSDB), Gerson Lima (PROS), Edma Maia (PROS), Dr. Antônio (PTN), Dadaia (PROS), Kátia Sena (PRP), Ismarleide (PROS), João de Damião (PROS).

Essa é a atual composição da Casa por ordem decrescente de votos, que cada vereador recebeu nas eleições de 2012. Como vocês podem, o ver. Edvaldo Emídio foi o mais votado no geral, tendo recebido 1.948 votos. Em seguida está o ver. Silvan Freitas com 1.661 votos e a ver. Rita de Cássia com 1.546 votos.

Dentre os homens, a composição ordinal de vereadores por quantidade de votos recebidos foi: Edvaldo Emídio, Silvan Freitas, Luizinho, Rodrigo Nasser, Gerson Lima, Dr. Antônio e João de Damião. 

Dentre as mulheres, essa ordem ficou assim: Rita de Cássia, Socorro Nogueira, Edma Maia, Dadaia, Kátia Sena e Ismarleide. 

Assim, podemos ver que na Câmara de Macaíba há, apenas, uma variação de cinco partidos, quais sejam, PROS, PMDB, PSB, PSDB e PRP. Isso aconteceu depois que, em outubro de 2013, oito dos treze vereadores, juntamente com o prefeito, filiaram-se ao PROS, partido comandado pelo demagogo deputado estadual, Ricardo Motta. 

Tal manobra política, até então inédita em Macaíba - quem sabe até no estado - repercutiu em toda imprensa estadual, e simbolizou a consolidação da hegemonia política de Fernando Cunha sobre o legislativo municipal. Se havia alguém com dúvidas de que Fernando mandava e desmandava na Câmara, a partir desse momento ficou evidente que seu poder e sua influência eram preponderantes.

Hoje, a base aliada do prefeito é diferente da base aliada que ele teve nos dois primeiros anos de seu mandato. Em 2013 e, pode-se dizer, em 2014, Fernando Cunha contou com o apoio incondicional de 10 dos 13 vereadores, a saber: Rita de Cássia, Socorro Nogueira, Dadaia, Gerson Lima, Silvan Freitas, Edma Maia, Ismarleide, João de Damião, Dr. Antônio e Rodrigo Nasser (observação: apesar desses dois últimos não serem filiados ao PROS, eles são totalmente coniventes com as ações do prefeito).

Essa configuração do apoio ao prefeito mudou em outubro de 2014, quando o ver. Silvam Freitas oficializou seu rompimento político com Fernando.  

A partir disso, Fernando passaria a contar com nove dos 13 vereadores e a oposição com quatro, a saber: Edvaldo Emídio, Kátia Sena, Luizinho e Silvam Freitas. Analisemos um pouco a situação desses quatro vereadores:

(a) O ver. Edvaldo Emídio é um oposicionista forte, haja vista que ele foi o candidato mais votado ao legislativo municipal, tendo sido eleito com quase dois mil votos. Além disso, ele conta com o apoio do seu filho e ex-vereador, Emídio Júnior, que além de ter sido vice-prefeito de Marília Dias, também é uma liderança política forte na cidade.

(b) A vereadora Kátia Sena, apesar de, no geral, ter ficado em 11° lugar por quantidade de votos recebidos e no 5° lugar entre as mulheres, tem desempenhado um trabalho excelente desde meados de 2013, época em que ela começou a se definir como oposição. Vale lembrar, que foi nessa época em que eclodiu o Movimento Revolta do Busão Macaíba, do qual fiz parte, e do qual a vereadora foi à única que, de fato, se prontificou a nos ajudar. Hoje, pode-se, por assim dizer, que Kátia é a vereadora mais atuante da Casa. Prova disso é que seu nome está na boca do povo.

(c) O ver. Luizinho, após cerca de 20 anos afastado da Câmara, retornou a esta Casa com a expectativa de que ele fosse o principal oposicionista de Fernando. No entanto, isso não aconteceu, pois o vereador tem deixado a desejar quanto a seus posicionamentos políticos - ora ele diz uma coisa, ora ele diz outra. Nesse sentido, Luizinho deve ser mais incisivo e firme nas suas palavras e ações, uma vez que ele está correndo o risco de frustrar seus eleitores. 

(d) Por fim, considero o deslocamento político do ver. Silvam Freitas para a oposição um marco importantíssimo para a atual legislatura macaibense. Como disse, Silvam foi o segundo vereador mais votado na última eleição. Com o rompimento político entre ele e o prefeito, a oposição agora conta com o 1° e 2° vereador mais votado nas eleições de 2012. Juntos, eles somam quase 3,5 mil votos. É inegável que só a saída de Silvam da situação fortaleceu e muito a oposição. Agora, realmente, vamos esperar como será a atuação política de Silvan. Mas, pelo o que eu estou acompanhando, até agora, ele tem demonstrado que está disposto a colaborar. 

Enfim, a configuração política da Câmara de Macaíba é essa.  De um lado, nove dos 13 vereadores são completamente subservientes às ordens do prefeito. Do outro, quatro vereadores, dentre eles o 1° e o 2° mais votado, assim como a vereadora mais atuante da Casa e um ex-prefeito, fazem parte da oposição. Se esses quatro trabalharem em conjunto, certamente Fernando Cunha terá infinitas dores de cabeças. A conferir...