7 de agosto de 2015

Apenas o reflexo

Por Ligia Silva

Pequenos atos de honestidade podem não salvar o mundo, mas pelo menos deixará de existir um canalha. Mas não é assim que pensa a maioria do povo brasileiro, tirar vantagem  infelizmente tem sido a marca maior do brasileiro no estrangeiro. Qual de nós nunca ficou zangado e até já discutiu em fila de restaurante, hospital, banco, pois alguém  passou na nossa frente de forma desonesta, qual de nós já  não levou nome de babaca por encontrar uma carteira recheada de dinheiro e entregar? Qual de nós não já presenciou atos preconceituosos com alguém na rua, na igreja ou no ambiente escolar?

Mas nas ruas o grito de justiça é forte, justiça com as próprias mãos, matando até quem é inocente, justiça seletiva em forma de machismo e misoginia, eis um exemplo: “fora Dilma sua vagabunda, quero que você morra com um tiro na cabeça, sua maldita ’’ gritou o cidadão de bem que não assinou a carteira da sua empregada. Ou mesmo “Somos maioria, que se foda a minoria bando de vitimisma” Outro clássico do cidadão de bem: ”Odeio política a menos que me dêem um bom emprego”. A crescente onda de escândalos de corrupção é culpa de pequenas coisas do nosso dia a dia que fazemos ou deixamos de fazer, quem acha besteira roubar um real de troco não achara roubar cinco milhões , quem mata um gato envenenado lá na frente não terá pena de matar um bebê.

Ser gentil e honesto, sentir empatia, nunca foi algo tão repulsivo no Brasil. Estamos vivendo tempos de ódio gratuito, a política brasileira é apenas o reflexo de um povo que não se interessa por política, que quer tirar vantagem em tudo e em todos, todos os partidos políticos estão manchados pela lama tenebrosa da corrupção, e quem colocou esses poderosos caciques no poder foi o povo, uns por puro interesse outros por pura ignorância política de seus direitos e deveres como cidadão.

No Brasil não é ensinado a ter ética como no Japão, Inglaterra e outros países modelos  em educação, no Brasil é ensinado a lei do proveito, a dependência de poderosos e o mendigar do pão; nisso entra   a frase  mais clássica do educador  Paulo Freire “Quando  a educação não é libertadora  ,o sonho   do oprimido  é  ser opressor” Porém nada esta perdido totalmente mudar o mundo e uma nação de uma hora para outra não é fácil, mas podemos mudar o mundo de alguém sendo honestos e éticos, isso não revolucionará o mundo, mas nossa consciência e a nos mesmos, pois  aquele  que  se corrompe  á preço  de banana  por seu opressor, será oprimido no final.