1 de setembro de 2015

Eles Têm Rabo Preso

Política e Poder - Por Jefferson Lázaro

 O grande desenhista Milô Fernandes (1923-2012) – que também foi cartunista, escritor e repórter – ficou conhecido pelo modo peculiar com a qual criticava os políticos por meio dos seus desenhos.

De forma irônica e sátira, Milô Fernandes costumava desenhar seus personagens com uma longa cauda colorida, como uma forma de simbolizar aqueles que, em sua época, tinha o “rabo preso”.


Assim, os diversos “rabos presos” que Milô Fernandes desenhou representavam uma forma genial de criticar as forças políticas dominantes, bem como o exercício fisiológico do poder.

Trazendo essa discussão para a realidade política de Macaíba, fico imaginando como seria o desenho que, caso fosse vivo e residisse em nossa cidade, Milô Fernandes faria para representar o “maior conluio político que Macaíba já viu”. 

Certamente, ele desenharia vários vereadores da base aliada do prefeito (os rabos presos) com longas caldas coloridas. Mas não só isso: fico imaginando que ele acrescentaria em seus desenhos várias cabeças de lagartixas, uma para cada vereador que dessa forma se comportasse na Câmara.

De fato, seria o desenho perfeito para representar o opróbrio político pelo qual passa a Câmara vereadores de nossa cidade.

As palavras acima são duras. Porém, diante da omissão política das autoridades eleitas, julgo-as necessárias: enquanto os senhores e senhoras vereadoras estão com os “rabos presos” junto ao prefeito, que por sua vez adora tirar fotos oportunistas em jantares com o governador, o povo de nossa cidade está morrendo.

Em 2013, quando os índices de insegurança bateram recordes, e quando nossa cidade ficou conhecida como “cidade do medo”, o problema da insegurança só foi tema de discussão na Câmara depois que morreram quase 80 pessoas. 

A pergunta que faço a Gerson Lima e aos demais vereadores omissos da Câmara é:

Quantas pessoas mais será preciso morrer para que vocês, juntamente com o prefeito, comecem a tomar atitudes concretas a fim de controlar o problema dos altos índices de insegurança da cidade?

Obviamente que não estou falando de idas e vindas de reuniões de gabinetes, pois isso é o mínimo que os vereadores, juntamente com o prefeito, poderiam fazer. Aliás, não estou me referindo à questão da governança da segurança pública que, por meio das Polícias Civil e militar, compete ao Governo do Estado. 

Refiro-me, pois, ao que poderia ser feito pelo prefeito e demais vereadores no sentido de buscar alternativas políticas, concretas e inovadoras capazes de reduzir os altos índices de criminalidade no município. Tais como: 


(1) Formação de um comitê municipal permanente para discutir a segurança pública, que Fernando Cunha prometeu no ano de 2006 e que, até hoje, não passou de palavras jogadas ao vento.

(2) Criação de uma comissão de estudos com membros de diversas secretárias do município, tais como, Secretária de Trabalho e Assistência Social, para elaboração de um mapa de violência da cidade.

(3) Elaboração de um plano municipal de combate à violência, com a previsão de ações educativas e culturais nos lugares onde a violência é mais crítica, como os bairros da Morada da Fé, Raíz, Campo das Mangueiras e Campinas; e nos distritos como Traíras, Lamarão, Cajazeiras, Mangabeira, Guarapes, Pé do Galo e Lagoa do Sítio II.

(4) Instalação do sistema municipal de câmeras de videomonitoramento e realização de concurso público com a previsão de vagas para guarda municipal, que por sinal estava previsto para 2014 e, até agora, não passou de promessa política. 

(5) Cobrar do governador a construção imediata da Delegacia de Polícia Civil de Macaíba, que, de acordo com o site da Prefeitura de Macaíba, teria previsão de construção para 12 meses e, até agora, um ano e três meses depois, as obras da delegacia sequer foram iniciadas. 

Enfim, sair do comodismo, arregaçar as mangas e buscar soluções para resolver o problema da insegurança da cidade. 

O que não dá é o Prefeito, juntamente com boa parte dos vereadores, ficarem esperando, assim como foi na época de Rosalba, que Robinson de Faria opere milagres...