10 de setembro de 2015

Por que o povo não se revoltou?

Política e Poder - Por Jefferson Lázaro

A partir do próximo ano, a quantidade de cadeiras disponíveis no Legislativo municipal passará de 13 para 15, conforme projeto de lei aprovado, em primeira votação, na sessão ordinária realizada na última terça-feira.

Isso acontece num momento em que a ordem é cortar gastos, em virtude do delicado momento econômico pelo qual passa o país.

Ora, qual é a finalidade de aumentar as vagas no Legislativo Municipal senão a de aumentar as chances de reeleição dos próprios vereadores? Por acaso, há algum vereador com medo de não se reeleger na eleição do próximo ano? Pelo que parece, sim.

Hoje, segundoinformações do Senadinho Macaíba, um “leitor anônimo” disse ao referido blog que “Mesmo com mais vereadores, os custos da câmara não mudariam”. Será?

Como seria possível aumentar a quantidade de vereadores sem que com isso aumente-se também os gastos da Câmara? Os novos vereadores não terão direito a salário nem a verba de gabinete, é isso?

O “vereador anônimo”, ou melhor, o leitor anônimo disse ainda que “com o aumento, haverá uma maior representatividade da população”. Outra afirmação que não se sustenta: aumentar o número de vagas no Legislativo Municipal não implica, em hipótese alguma, aumento de representatividade.

Representatividade não está diretamente relacionada à quantidade de vereadores, pelo menos não necessariamente.

Pode-se ter um grande número de vereadores e não ter representatividade alguma perante o povo. Esse é o caso de Macaíba, onde, pelo menos, 11 dos 13 vereadores não têm representatividade alguma perante a população macaibense.

A verdade é que, com o aumento dessas duas vagas, o que se pretende por parte dos vereadores é aumentar as próprias chances de reeleição. Principalmente para os vereadores menos votados na eleição de 2012 - como é o caso de João de Damião, Ismarleide, Dadaia e Antônio França – que são sérios candidatos a ficarem de fora da próxima legislatura.

Acrescente-se a esta lista os vereadores que tiveram votação mediana na última eleição e que têm grande rejeição popular, como é o caso dos vereadores Rodrigo Nasser e Edma Maia e o presidenteda Câmara, ver. Gelson Lima.

A propósito, o fato de Gelson Lima ter votado contra a lei do aumento de vagas no Legislativo não significa que ele é contra tal aumento. Trata-se, apenas, de uma jogada política para ganhar a simpatia do eleitor: Gelson Lima sabia, por cartas marcadas, que os votos necessários para aprovação da tal lei já estavam garantidos; em vista disso, porque não, pelo menos uma vez, votar a favor da vontade popular?

O aumento de vagas no Legislativo pode até está respaldado pela Constituição, conforme disse o tal “leitor anônimo” ao Senadinho. Entretanto, perante a vontade popular, esse aumento é imoral e vergonhoso.

Não obstante, há uma questão importantíssima a ser refletida diante de tal acontecimento político, que vai além de meras suposições políticas, bem como dos “mensalinhos”, é a seguinte:

Por que, diferentemente do que está acontecendo em diversas cidades do país, nas quais o povo está cobrando a redução dos salários dos vereadores, nada de concreto foi feito por parte do povo para impedir que o aumento de vagas fosse aprovado em Macaíba? Por que o povo, mesmo sendo contra a essa medida, não se revoltou a tal ponto de ir à Câmara Municipal impedir que o aumento se concretizasse?

Essa é uma questão que deve ser respondida conforme o entendimento de cada leitor, inclusive do tal “leitor anônimo”...