28 de outubro de 2015

Chegou a hora da mudança


A passagem pela comemoração dos 138 anos de emancipação política e administrativa de Macaíba convida-nos a refletir sobre os rumos que nossa cidade tem tomado nos últimos 15 anos.

O ciclo político iniciado nos anos 2000, com a ascensão de Fernando Cunha ao poder, levou nossa cidade para longe de sua história e para longe do seu povo.

Há quinze anos, nossa cidade é governada para os de fora. Há quinze anos, nosso povo não tem voz nem vez.

É preciso mudar.

Chega de galpões alugados às vésperas de campanha eleitoral para servirem de “centro de cultura de fachada”, uma vez que o verdadeiro Centro de Cultura de Macaíba encontra-se abandonado as margens Lagoa das Pedras.

Chega de sermos enganados com a construção de um estádio, lá onde Judas perdeu as botas, quando nosso querido Campo do Cruzeiro, palco sagrado do esporte macaibense, encontra-se completamente esquecido pela gestão atual.

Nessa hora, é preciso se perguntar: comemorar o que? 

Datas comemorativas existem para que os grandes acontecimentos históricos não se percam no passado. Hoje, infelizmente, nossa história encontra-se em ruínas no alto de um morro nos Guarapes, uma verdadeira chaga aberta na história do nosso povo.

E o que Fernando Cunha fez durante todo esse tempo em prol da restauração do Casarão dos Guarapes?

Nada. Absolutamente, nada.

Só quem verdadeiramente ama esta terra se indigna com a situação em que se encontra a casa que Fabrício Gomes Pedroza viveu. Onde hoje só há ruínas, já foi o maior complexo comercial de todo o Rio Grande do Norte. Até quando as paredes do casarão irão resistir ninguém sabe. 

Contudo, se há uma certeza nesses 138 anos, é a de que o ciclo político comandado por Fernando Cunha chegou ao fim. Não há mais o que apresentar ao povo. Agora é a hora da mudança. 

Para encerrar, é com muito prazer que gostaria de transcrever, abaixo, parte do artigo publicado no Senadinho Macaíba, no último dia 27, pelo ex-prefeito Valério Mesquita Filho. Em suas palavras, Valério clama pela restauração do "universo semidesaparecido" do imortal Fabrício Gomes Pedroza:

"Ninguém coloca em cena a coragem de contemplar restituído o universo oculto de Fabrício que fez brilhar o nome de Macaíba dentro e fora do Rio Grande do Norte, na segunda metade do século dezenove. Não bastam, apenas, reprisá-lo com lendas e narrativas, como tivesse sido um mundo de ficção. Melhor que a dispersão da palavra solta é ouvir o eco de suas paredes reerguidas, das vozes trazidas pelo vento das vidas que não se pulverizaram mas renasceram pelas mãos das novas gerações. Esse universo semidesaparecido, clamo por ele, aqui e agora, afirmando que a melhor imagem de um homem, após a morte, não são as cinzas, mas a obra que legou à posteridade, revivida e restaurada como reconfortante e fiel fotografia de sua história e vida."