30 de dezembro de 2015

Por um 2016 com Mais Amor, por Favor

Por Ligia Silva

O ano de 2015 não foi um ano muito fácil para as mulheres macaibenses. Poderíamos fazer um “top dez” de coisas absurdas que aconteceram por aqui. Exemplo: morte de mulher por marido inconformado com o fim do relacionamento; mulher é encontrada na beira da estrada morta a facadas; mulher é espancada pelo marido e tem sua casa incendiada.

Este ano nem terminou e fico me perguntando qual será a próxima notícia que será tratada de forma banal pela sociedade macaibense. Nesse momento, é comum procurarmos culpados, mas nada adianta culpar o prefeito, os vereadores, a mídia, nem muito menos as próprias vítimas, ou seja, as mulheres. O que existe de mais comum é culpar quem não pode se defender. Frases como “foi estuprada, porque estava com uma roupa curta”; “foi espancada, porque se envolveu com quem não presta”; e “foi morta, porque não conhecia o cara”. O que essas frases têm em comum? Colocam a culpa na própria vítima.

Ninguém questiona que tipo de coisas o agressor ouviu a vida toda para se tornar um monstro. Nunca se questionam o porquê que, em grande parte dos casos de agressão, a vítima da violência continua com o agressor. Apenas culpam a mulher e não refletem sobre o que dizem, principalmente sobre aquilo que reproduzem para as crianças.

Querendo ou não, quando você culpa uma mulher por ser estuprada e diz que ela merece apanhar, se você tiver uma filha pequena terá que fazer os seguintes questionamentos: o que a minha filha de cinco anos irá fazer se for abusada sexualmente por alguém próximo a mim? Ela se sentirá a vontade para falar ou se sentirá culpada e continuará sendo abusada por medo de ser rechaçada? Aos que têm filhos, vale a seguinte pergunta: Qual será o pensamento dele ao escutar sua mãe ou o seu pai chamando as mulheres de vadias e vagabundas?

Temos muita coisa para pensar sobre nossos comportamentos, pois eles são as causas dessas ações que vemos hoje em nossa cidade. Mas nem tudo está perdido:

A Prefeitura de Macaíba, por meio da Secretaria de Ação Social, desenvolve um projeto muito bacana, chamado “Mais Amor, por Favor”.

Esse projeto é direcionado as mulheres que sofreram todos os tipos de violência.  Além disso, o projeto cuida da inserção dessas mulheres na sociedade, ofertando as seguintes atividades: Acompanhamento psicológico, médicos e cursos profissionalizantes. Este ano, houve ainda o I Fórum de Politicas Públicas para as Mulheres que, apesar de que não teve a devida participação por parte das mulheres macaibenses, o evento foi válido. Entretanto, gostaria de fazer a seguinte observações:
É preciso ouvir a mulher da periferia, do interior e de todos os lugares da cidade. A participação de todas elas é essencial. Por isso que o meu desejo é por um 2016 diferente, com uma maior participação das mulheres macaibenses no Fórum que foi criado para elas.

Claro que o machismo não é algo que acabe do dia para noite, mas o que pode mudar é a nossa consciência. É insano e doentio culpar uma mulher por sofrer uma violência. Se isso mudar, já começaremos um ano diferente.

Se começamos a olhar com mais humanidade as mulheres que sofrem violência e nos colocarmos no lugar delas, visitando o CRAS de nossa cidade, veremos que os discursos machistas, baseados no preconceito, continuam sendo os mesmos que são reproduzidos desde os tempos de nossos avós. As mulheres precisam do apoio de sua família, de ajuda emocional, de comida para os seus filhos, de superação, não de julgamentos.

Que em 2016 possamos nos colocar no lugar delas. Que possamos refletir se os nossos discursos, baseados em opiniões medíocres, não estão afetando negativamente a vida dessas mulheres. Que no próximo ano possamos ver menos mulheres macaibenses nas páginas policiais. Que o nosso 2016 tenha Mais Amor, por Favor.