11 de dezembro de 2015

QUESTÃO DE EQUILÍBRIO E BOM SENSO

Por Valério Mesquita

Em sessão relâmpago, a Câmara Municipal de Macaíba aprovou o projeto de lei que autoriza a Prefeitura do município, contrair empréstimo de vinte milhões de reais para a construção de um Centro Administrativo. O fato ocorreu dia nove passado em sessão relâmpago (45 minutos), espaço de tempo para leitura da ata da sessão anterior, da ordem do dia e votação açodada, sem discussão. No bojo do documento a Câmara autoriza o Poder Executivo a buscar financiamento não apenas no BNDS mas em outros bancos. Ocorre que o referido projeto, como exigem a ética e a moralidade administrativa, não contou com o parecer da presidente da Comissão de Constituição e Justiça, vereadora Kátia Senna. Em plenário, a mencionada parlamentar e o colega Edivaldo Emídio se posicionaram contrários ao vultuoso empréstimo, porém foram vencidos pela maioria situacionista.

O fato que está chamando a atenção da comunidade local é o tamanho do endividamento aprovado, sem debate, sem que o objeto do projeto esteja inserido no elenco das prioridades de Macaíba. Na cidade, o Hospital Regional Alfredo Mesquita se encontra semiparalisado, faltando equipamentos, medicamentos e outros meios para atender o seguimento social. As praças centrais do aglomerado urbano estão esquecidas porque foram construídas por gestores passados. A segurança pública local precisa do somatório do concurso da prefeitura local a fim de diminuir o índice de criminalidade que assusta a população.

O servilismo das Câmaras aos prefeitos em muitos municípios é uma prática lamentável porque a subserviência faz acreditar em suborno, em maracutáia e de empreguismo desvairado. Trata-se de um caso que precisa ser investigado pelos órgãos competentes, visto que, tal prática enoja a vida pública e deteriora a identidade do ente legislativo municipal. Veja o exemplo dos casos do Congresso Nacional. O gestor público não deve só parecer honesto. Deve ser honesto, efetivamente através dos seus atos e comportamentos. Aquele administrador que exibe o seu desempenho com obras suntuosas para deleite dos seus munícipes, na maioria das vezes, realiza serviços que o povo não está pedindo. Mais importante do que fazer realizar, é ser honesto, probo e honrado. Por trás, de uma obra suntuosa, pode está escondida a estrutura de um propinaduto.

Lembro-me do ex-governador paulista Ademar de Barros, e de outros tantos. Ele tinha um curioso slogan: “Rouba, mas faz!”. O nosso país, o Estado e os municípios atravessam uma crise econômica sem precedentes. Ninguém sabe, com essa inflação, desemprego, aumento dos custos dos remédios, alimentos, energia elétrica, educação, combustível, como será o ano de 2016. Os economistas e estudiosos não preconizam boas notícias. Ainda não se vislumbrou uma saída. Ai vem a prefeitura e a câmara municipal juntas, se acumpliciaram e votaram um monstruoso débito de vinte milhões de reais, sem ouvir o povo, sem discutir, às pressas, para inconfessáveis desígnios no período eleitoral que só o diabo sabe. O diálogo com a sociedade e a classe empresarial é de indiscutível relevância, diante do momento crítico que o povo atravessa. Nesses tempos, prevenir a má aplicação de recursos públicos é bem melhor do que punir, posteriormente. Se punir.


Via Senadinho Macaíba