26 de janeiro de 2016

As diversas formas de juventude e seu espaço social e simbólico

Por Jair Macêdo

Precisamos entender as diversas formas de juventudes em seu espaço social e simbólico. Em vista disso, façamos a seguinte pergunta:

Como seria possível articular diferentes formas de juventude numa agenda pública de reconhecimento e desenvolvimento?

Desde o final do século XVIII, quando as idades da vida foram construídas em conjunção com a família burguesa, a adolescência foi um tempo de passagem entre infância e a vida adulta. 

A partir dos anos 80, essa representação da adolescência entrou em processo de desconstrução: A crise da família patriarcal, as transformações no mundo do trabalho e os novos papéis assumidos pelas mulheres foram algumas das razões dessa desconstrução. 

Se, no passado, as mulheres eram as peças fundamentais para fazer funcionar esse modelo familiar, com a crise do modelo tradicional e o advento da nova ordem mundial, a autoridade patriarcal foi colocada em xeque:

A juventude foi atingida em cheio. O tempo de duração da adolescência aumentou e a fase da juventude prolongou-se de tal forma que não há limites para seu fim.

Entretanto, apesar de ser muito exaltada por suas potencialidades, à juventude tem sua imagem marcada pela ambiguidade, uma vez que essas potencialidades são capturadas pelo significado do que é ser jovem numa sociedade dinâmica e capitalista, em que o termo juventude passou a ser usado como uma mera expressão do consumo, criando-se, portanto, a ideia de juventude eterna. 

Por essa reflexão, podemos percorrer os caminhos da interpretação sobre a recorrência e a multiplicação das formas de violência entre os jovens no mundo contemporâneo. No contexto atual, existe uma “insegurança” e “incerteza” que se apresentam como verdadeiros fantasmas, haja vista que a juventude não é tratada como uma categoria social, mas como algo que pode ser alcançado através do consumo: falta construir uma perspectiva objetiva de futuro.

Além disso, é preciso conhecer as diversas juventudes. O Estado, por meio de políticas públicas, deve fortalecer a construção da identidade, assim como reconhecer o espaço social e simbólico das mais variadas formas de juventude.

A partir da ascensão dos governos populares na última década, o “tema juventude” está sendo, cada vez mais, pauta das agendas do governo. Porém, ainda caminha para construção de um diálogo mais efetivo, isto é, que aconteça a partir de um ambiente politico e jurídico, oferecendo oportunidade e visibilidade à juventude.