7 de janeiro de 2016

POR UMA NATAL MAIS FELIZ E SEM VIOLÊNCIA

Eu conheci uma jovem há quase 30 anos, na casa de praia de seus pais, que eram meus companheiros de Encontro de Casais com Cristo. Na oportunidade, conversamos um pouco e pude constatar o brilho em seus olhos e o riso fácil com que demonstrava sua satisfação e interesse pela vida. Era um tempo de sonhos e realizações para todos nós: ela, estudante secundarista; eu, professor recém chegado de um mestrado. Cada qual com seus sonhos, em uma Natal, ainda pacata, e que despertava devaneios em todos nós. Vieram outros momentos e novos encontros aconteceram, na casa situada no bairro de Lagoa Nova, em uma rua próxima da que eu morava. 

Passado aquele período, de boa e breve convivência, seguimos nossos rumos em busca de sonhos antigos e novos. No início do novo século, numa noite de grande alegria, quando tive o prazer de saudar uma turma que concluía a graduação, pude reencontrá-la juntamente com os pais. Ao final da solenidade, no momento dos cumprimentos, tive a grata surpresa de vê-la de braços dados com um jovem que havia sido meu aluno na universidade. Foi uma alegria redobrada ao vê-la feliz da vida ao lado daquele que viria a ser seu esposo anos mais tarde. 

Quando publiquei meu primeiro livro, em 2005, visitei a casa dos pais dela e lá estava a já mamãe cuidando da filhinha que se esbaldava na piscina. Fui bem recebido, como sempre, e tive o prazer de ter meu livro adquirido para quem sabe ser lido para a menininha de alegria esfuziante. Vi de novo aquele brilho no olhar da jovem mãe, já sonhando como seria sua filha crescendo, estudando e vivendo intensamente. 

Por que estou falando sobre a história de vida da adolescente que eu conheci um dia e se tornou mãe e mulher? 

Porque, infelizmente, aquela pessoa tão feliz, que amava a vida, a família e, muito especialmente, sua filha, teve a vida ceifada por uma bala, disparada por alguém que, com o propósito de roubar bens materiais, roubou o bem mais valioso - a vida de GISELA – simplesmente porque ela pediu, de braços erguidos, para liberar sua filha que estava em poder dos assaltantes. Aqui cabem algumas questões para reflexão: 

Até quando crimes como este vão ocorrer em nossa Natal que simboliza nascimento e não morte trágica? O que nossa sociedade está fazendo para que tais fatos, tão tristes e deprimentes, não venham mais acontecer? Que medidas enérgicas estão sendo ou devem ser tomadas para coibir acontecimentos tão nefastos? 

Com a palavra, e as ações, os governantes e os representantes eleitos pelo povo. Com a palavra, e as ações, a sociedade que precisa estar atenta e sempre mobilizada para cobrar e contribuir com as autoridades, para que as pessoas possam sonhar e viver a vida plenamente. 

Que GISELA MOUSINHO PAIVA SILVA seja um símbolo eterno do nosso repúdio contra a violência e que a sua vida não tenha sido perdida em vão!"

MARCOS MEDEIROS, professor aposentado da UFRN.

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