29 de fevereiro de 2016

A meritocracia na educação brasileira

Por Marcelo Barbosa*

Na maioria dos casos em que analisarmos a situação da Educação Brasileira, nos deparamos com um quadro nada animador. Tratasse de um cenário que vem sendo construído ao longo da história do nosso país e que não é fruto de um único governo ou de um único gestor.

O histórico de descontinuidade de políticas públicas em educação no Brasil revela a falta de compromisso dos políticos nessa área. Muito se promete nos períodos eleitorais, mas, ao fim das eleições, as propostas logo são abandonadas, modificadas ou substituídas, tornando o sistema educacional fraco, ineficiente e de baixa qualidade.

O assunto é polêmico, principalmente no campo teórico e ideológico, pois traz à tona inúmeras discussões que tentam apresentar soluções para problemática da educação no Brasil. Um debate recorrente gira em torno da "meritocracia na educação", que prioriza o "processo de escolarização com base no mérito".

Os defensores da meritocracia acreditam que para alcançar seus objetivos as pessoas têm que merecer e através de seus próprios esforços conquistarem o sucesso profissional e financeiro. Assim, elas seriam recompensadas por seus "próprios méritos".

Segundo eles, seria merecedor àquele que tem valor, que exibe um conjunto de atributos intelectuais e morais reconhecidos e que tudo faz para ser digno. Dentre esses atributos, estão: capacidade, habilidade, inteligência, talento, aptidão, dom, vocação, etc.

Ora, como pode uma ideologia que privilegia os mais qualificados, competentes e talentosos está em consonância com um sistema político arruinado e corrupto? Como pode essa ideologia está em consonância com um Estado que não cumpre àquilo que está previsto em sua Constituição Federal?

Pensar em meritocracia na Educação Brasileira é mais um equívoco dentre tantos outros já cometidos. Na verdade, a injustiça continuaria acontecendo com outra roupagem, pois, como dito acima, o sistema político brasileiro é corrupto e a grande maioria dos políticos não tem o mínimo interesse em promover melhorias na educação.

Assim, legitimar a "meritocracia" aumentaria ainda mais os problemas em nossa sociedade, pois os alunos seriam submetidos a uma disputa na busca por ser o melhor, mas com o mesmo modelo educacional deficiente em vigor. Sem contar que onde ocorrem disputas individuais é impossível que aja satisfação e harmonia. Dito de outra forma: as disputas individuais só aumentam os abismos sociais.

Portanto, acredito que a solução para o problema da Educação Brasileira seja uma educação cidadã, comprometida com o desenvolvimento de toda a sociedade e não, apenas, com parte dela.

Quando e como isso vai acontecer?

Quando, da mesma forma em que foi construída a sociedade do individualismo, se erga também uma sociedade mais igualitária.

*Professor
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Notas
  • (SANTOS, 2007, p. 74) nos esclarece que “[...] será preciso dar a todos os homens o direito a um emprego e uma acessibilidade igual a todos os bens e serviços considerados essenciais. ” 
  • (FREIRE, 2000, p.67) ajuda a compreender qual a função da educação quando afirma: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.