7 de fevereiro de 2016

Carnavalescos Inesquecíveis – Crônica de Valério Mesquita

Foto: Reprodução/Senadinho Macaíba
Pedro Luís Teixeira, vulgo Pedro Pixilinga, foi um dos notáveis carnavalescos de Macaíba. Ao longo de mais de cinqüenta anos animou o carnaval da cidade comandando blocos, maxixeiras e bagunças. O seu último foi “Os Cangaceiros na Folia”, sempre fiel ao estilo antigo de desfilar ao som de marchinhas e frevos. Pedro era o Lampião do carnaval de Macaíba, que enfrentava na avenida as famosas escolas de samba “Aí Vem Os Malandros”, “Bafo da Onça”, “Ferro e Aço” e “Os Calouros do Samba”. O valente Pedro Pixilinga, com seus indomáveis cangaceiros e bonitas Marias, fazia um verdadeiro furor, com Ronaldo e Bodete no trombone, Pereira no pistom, Geraldo Paixão no contra-baixo, Banga no tarol, Bastinho no surdo e, de quebra, Belchior, naquela barulheira toda, tocava um banjo inaudível. Era o toque "felliniano" da folia. Na vida doméstica, Pedro era pobre e vivia do jogo do bicho e da roda da sorte de uma “roleta 36”, nos bons tempos. Todos os anos, alguém apostava e perdia: “Esse ano ele não sai!”. No domingo de carnaval, às três da tarde, “Os Cangaceiros da Folia” despontavam nas Cinco Bocas com Pedro à frente, efetuando as primeiras evoluções "lampiônicas". Hoje, tudo é só nostalgia.

Foto: Reprodução/Senadinho Macaíba
José de Ludovico, alto, ereto, cabelos grisalhos, voz de orador político, foi outro grande animador dos carnavais de Macaíba. Gostava e discutia política com propriedade, ao ponto de ser apelidado “senador Ludovico”, cujo porte lembrava o velho congressista de Goiás. Quando chegava o carnaval, aí esquecia tudo. Saía no seu bloco de frevo com os passistas endiabrados, enfileirados, e ele no meio, impassível, caminhando, como se chefiasse uma patrulha policial. Interpelado por que não caía no frevo, respondia com aquela seriedade senatorial: “Quem comanda, não brinca em serviço. Tenho a responsabilidade de mostrar ao povo e ao prefeito que deu a verba, que estamos desfilando direitinho!”. Ludovico era funcionário municipal e seguidor político fiel de Alfredo Mesquita, de quem era compadre. Nos anos trinta foi preso com Mesquita, na cadeia de Macaíba, por perseguição política movida pelo regime ditatorial das interventorias e dos intendentes municipais. Ultrapassou os noventa anos, mas morreu tragicamente. Num dia de sábado, final de feira, foi esfaqueado por um débil mental numa mercearia do mercado público. A notícia entristeceu e surpreendeu Macaíba. As ruas e avenidas cobriram-se de dor e luto e uma marcha-rancho antiga e triste se ouviu, pedindo passagem para o velho “senador”.

Valério Mesquita (escritor)
Via Senadinho Macaíba