24 de fevereiro de 2016

Filho não é trófeu

Por Ligia Silva

Recentemente, foi lançada uma campanha na internet na qual faziam o seguinte desafio: mostrar as maravilhas da maternidade e como é lindo ser mãe. É importante lembrar que ser mãe não é um mar de rosas: envolve compromisso, dedicação, amor e abrir mãos de sonhos pessoais. Apesar de haver algumas mães que se recusam a dizer que ser mãe é maravilhoso, embora amem os seus filhos. O resultado disso é uma série de criticas, ataques e ameaças.

Afinal é tão horrível dizer que não quer ser mãe? Ou mesmo dizer que ser mãe é complicado?

Noites mal dormidas, preocupação quando filho se torna adolescente e, até mesmo, a possibilidade de ingratidão na velhice – pois ter um filho não garante que na velhice ele cuidará de você, basta visitar um asilo e poderemos comprovar isso de perto. 

Não estou fazendo, aqui, uma campanha antimaternidade, mas apenas dizendo para as mulheres serem responsáveis, pois ser mãe não é fácil.

Vivemos uma geração na qual o professor é pai e mãe de seus alunos e algumas mulheres decidem ter um filho por pressão da família e da sociedade ou do Marido. 

Para boa parte das mulheres, a gravidez não é planejada e o resultado disso são filhos criados pela escola, pelos avós, tios, etc. Filhos criados muitas vezes sem carinho e sem serem acompanhados nos melhores momentos de suas vidas, e que muitas vezes escutam frases como ”Eu não fiz essa viagem por sua culpa”, “Eu não estudei por sua culpa”, “Eu não trabalhei por sua culpa”, jogando nos filhos toda frustração, culpando-os quando, na verdade, a culpa está na “idealização da maternidade”.

Antes de ter um filho é preciso saber que ele não é um brinquedo nem, muito menos, “cachorrinho de madame”. Filho é um ser humano que sente emoções desde o ventre materno: sente quando é rejeitado, reconhece a voz do pai, é afetado se sua mãe não está emocionalmente bem. Filho cresce e não apenas precisa de carinho, como também de limites. Precisa de uma mãe e amiga e não de uma pessoa que, apenas, agrada-lhes com presentes. Dito de outra forma: é preciso saber se realmente você está preparada para ser mãe ou se está, apenas, preocupada com a cobrança social. 

Antes de acusar de monstro e sem coração àquelas mulheres que decidem não ser mães, a sociedade precisa saber que essas mulheres são honestas ao não romantizar a responsabilidade de criar alguém. Elas são livres para decidir isso: se romantizássemos menos e olhássemos com sabedoria a “realidade que da maternidade” teríamos menos crianças e mães infelizes. 

Ser Mãe deve ser a escolha mais linda e consciente da vida de uma mulher. Filho deve ser amigo e amor para toda vida e não um troféu para exibir para Família, a sociedade ou o Facebook.