19 de março de 2016

Os 140 anos da Capela São José

Por Anderson Tavares de Lyra


No chão elevado e firme do alto do barro vermelho, centro de Macaíba, está a capela de São José, clara, linda, acolhedora, a mais simples, a mais pobre, a mais legítima na sua arquitetura gótica sedutora. No dia 19 de março de 1876, era inaugurada e benta pelo vigário de São Gonçalo do Amarante Manoel Fernandes de Lustosa Lima, com grande assistência da população que a construiu com veneração.

Capela de São José tendo a sua esquerda os antigos jardins do Solar Caxangá. 

A capela era a afirmação da fé e denunciava o desenvolvimento econômico local, a densidade demográfica em ritmo crescente, o numero apreciável de almas em “estado de comunhão”, certa massa residencial fixando cristãos, vivendo em tarefas regulares.


 A história da capela de São José está intimamente ligada ao solar Caxangá, uma vez que encontra-se edificada nos nove hectares iniciais dessa propriedade, anteriormente denominada fazenda Barra. Segundo a escritura pública de doação feita pelo coronel Estevão José Barbosa de Moura, aos 27 de fevereiro de 1874, eram 700 palmos (140 metros) de frente, por 200 palmos (400 metros) de fundo. O coronel Estevão Moura atendia a uma reivindicação da população de Macaíba, cuja matriz ainda estava em construção e que se deslocavam até o município de São Gonçalo do Amarante para a assistência religiosa.

A construção da capela foi iniciada ainda no ano de 1874 e teve a participação da maioria das pessoas da comunidade, que auxiliaram das mais diversas formas os mestres de obras. Segundo a arquiteta Jeanne Fonseca Leite Nesi, que analisou, nos anos 1980, a estrutura do templo:

A capela de São José possui apenas a capela-mor e a nave. A fachada compõe-se de três portas de acesso, confeccionadas em madeira, em vãos de vergas retas. Possuem cercaduras de massa, formando arcos ogivais, e são encimadas por óculos. A fachada do templo apresenta frontispício curvilíneo, ladeado por dois pináculos.

O primitivo altar era esculpido em madeira, trabalho dos artesãos locais quando de sua construção. Esse altar foi substituído em 1919, em uma primeira reforma, pelo de alvenaria que permanece até hoje, constituído de único nicho central que encerra o vulto em madeira do patriarca São José, imagem que veio em procissão da antiga capela de Santana do engenho Ferreiro Torto e era devoção pessoal do doador do terreno.

A segunda grande reforma ocorreu no ano de 1983, operacionalizada pela Fundação José Augusto, que tombou o templo tendo em vista o seu valor histórico arquitetônico. Em 1997 e no ano de 2002, quando a capela apresentava sérias rachaduras foram feitos trabalhos de restauro. Atualmente a capela encontra-se cercada de construções devido à comercialização de seus terrenos vizinhos, ainda nos anos 2000, fato que embora esconda parte de sua beleza, não retira a sentimentalidade dos macaibenses para com a sua capela-mãe.

É a capela sentimental, visitada por antigos e novos poetas que de lá divisavam o extenso e desaparecido jardim do solar Caxangá, com suas fileiras de coqueiros e canteiros de flores. Capela sentimental para aqueles que ainda guardam nas almas, como dizia Ramalho Ortigão, a flor da simpatia.