3 de abril de 2016

Negro e cotista, estudante se forma com o melhor desempenho da turma

Edgar Nascimento teve a melhor nota média no curso de Engenharia Mecânica (reprodução)
“O percurso até minha formação foi muito difícil, mas eu sempre me dedicava em todas as matérias. Trabalhar de dia e estudar a noite realmente não é fácil”. Edgar Nascimento, 23 anos, morador do Jardim Helena, Zona Leste de São Paulo, é agora engenheiro mecânico formado pela Universidade Cruzeiro do Sul.

Edgar tinha o sonho de entrar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. E foi durante os estudos para seguir carreira militar, que o jovem descobriu algo novo, o carinho e a aptidão com os números. O grande tempo dedicado foi a medida necessária para o estudante ingressar no curso de Engenharia Mecânica pelo sistema de cotas via ProUni, na Universidade Cruzeiro do Sul no ano de 2010.

Apesar das dificuldades durante o curso, como a necessidade de trabalhar, Edgar se sobressaiu na turma desde o início. “No meu primeiro ano me destaquei e fui convidado pelos professores a ministrar monitorias para os alunos que tinham dificuldades. E assim foram os cinco anos de estudos, finais de semana estudando para as provas e noites em claros fazendo trabalhos”.

Mesmo com o Prouni e o sistema de cotas, a quantidade de estudantes negros na sala de aula e mesmo nos demais cursos era ínfima. “Na minha turma no início éramos em quatro negros porém infelizmente apenas eu e mais um colega concluímos o curso”. Mesmo sem números exatos, o jovem engenheiro ressalta. “É visível que o número de negros estudantes na minha universidade é pequeno”.

Pedro Borges - Alma Preta
Via Prag. Político