7 de abril de 2016

O mundo anda chato demais!


Andei refletindo em algumas frases que estamos ouvindo e lendo diariamente, são essas: “Nossa hoje tudo é racismo”, “Hoje tudo é homofobia, transfobia, machismo, que geração fraca, não se pode mais usar de brincadeiras, as pessoas estão frágeis demais”. Bom, quando eu vejo pessoas falando isso principalmente nas redes sociais, vejo o histórico delas, muitas são brancas, classe média alta, querendo dizer o que é racismo para pobre e preto, muitas querem dizer a um gay o que é ofensivo sendo heterossexual e pasmem querem dizer para uma mulher que ter medo de ser estuprada é frescura, muitos querem fazer chacota com transexuais e mulheres sem ser apontado como agressivo.

Mas você pode dizer: ‘‘Já sofri muito na vida, já sofri muito bullyng na vida e nem morri’’. Sabe o que isso significa sobre a dor de outra pessoa? Isso mesmo que você esta pensando: Nada. Não importa se você subiu o monte Everest de joelhos, surfou em cima de um cacto ou foi marcado com ferro quente e depois venceu altos desafios isso nunca te dará o direito de ser inconveniente, grosso e hostil com outra pessoa. O Brasil ocupa o primeiro lugar no mundo em mortes de homossexuais e transsexuais, perdendo apenas para países islâmicos.

A cada cinco minutos uma Mulher é estuprada no Brasil, a violência contra mulheres negras cresceu assustadoramente chega a 98 %, para finalizar, segundo a anistia internacional, o Brasil é onde mais morrem jovens negros no mundo. Essas são informações documentadas e sérias, não são achismos ou meras estatísticas é a realidade nua e crua de um país que não respeita as minorias.

Isso explica que: “Quando um indivíduo se encontra numa situação onde sua aceitação social não é plena, a mesma sociedade que deseja que ele se comporte de uma maneira e que a carga que ele carrega não existisse e a mesma sociedade que aponta preconceitos quer que esse não exista.” Segundo o sociólogo  Erving  Goffmam

[...] ele é aconselhado a corresponder naturalmente, aceitando naturalmente, a si mesmo e aos outros, uma aceitação de si mesmo que nós fomos os primeiros a lhe dar. Assim, permite-se uma aceitação-fantasma, forneça a base para uma normalidade-fantasma. (1982, p133).

Numa sociedade sadia, nunca será natural ofender, humilhar alguém e o pior tentar convencer essas pessoas que isso é certo. Para quem gosta de rir e se divertir as custas das minorias estigmatizadas é só ligar a TV em canal aberto.

Recentemente um apresentador de TV fez piadas sobre a violência contra a mulher, tratada de maneira séria no Enem de 2015 e não foi punido por isso, ao contrario foi muito aplaudido, e quem se indignou levou nome de vitimista. No domingo a tarde tem um programa que relata o negro da favela de forma caricata, com um e dialeto de palavras vazias e repetidas, você pode ver isso nas novelas também, parece que o negro da favela nada mais é que uma caricatura engraçada que fala palavras erradas, pode ver também como os gays e transexuais são tratados, sempre como os animadores de plateia, mas não como seres humanos.

O mundo não anda chato para você que gosta de fazer chacota, que nunca soube o que é sentir na pele o que é ser uma piada, ele continua igual com as mesmas piadas dessa vez nas redes sociais, ele continua igual na televisão e continua igual do lado de fora da televisão ,mas o mundo anda chato para quem tem que engolir em seco opiniões fora da realidade e fora da vivencia de opressão.

Os movimentos sociais foram de fundamental importância para essa onda de conscientização, é um trabalho sério e que tem resistido, não diria que chegou ao seu ápice, ha muito que conquistar. Por isso fica a reflexão, não devemos aceitar como piada o que baixa nossa autoestima, não devemos aceitar como piada tudo aquilo que fere os direitos humanos e se o mundo esta chato para quem esta acostumado a ferir e xingar é sinal que nós que condenamos tais atitudes estamos fazendo a coisa certa.