15 de outubro de 2016

A mulher potiguar quer viver


Por mais que eu use palavras, textos para descrever minha insatisfação para com o cenário atual que vive o estado do Rio grande do Norte, não seriam suficientes os textos por muitas vezes podem soar repetitivos, mas é preciso bater na mesma tecla isso tem que parar.

O Machismo e a naturalização da violência é tão grande, que ficamos estáticos. A violência contra a mulher no Rio grande do norte cresceu assustadoramente. Esse ano são quase 70 casos de mortes de mulheres nas mãos dos seus esposos, namorados ou mesmo maridos. O estupro aumentou 70 % em 2015, quais foram às medidas tomadas contra isso? Discussões e discussões sem efeito algum.

Procuramos culpados, temos leis como a lei Maria da penha, lei do Feminicidio medidas protetivas pelo menos aqui no Rio grande do norte, não tem surtido efeito algum. Homens continuam matando suas mulheres, mesmo proibidos por lei de chegar perto delas. Então vamos ao ponto a culpa é do Machismo e ele precisa urgentemente ser desconstruído antes que mate mais mulheres.

O Homem potiguar em sua maioria ainda é muito machista, O homem potiguar ainda tem dificuldade de aceitar, que as mulheres hoje podem entrar e sair de um relacionamento independência financeira, independência sexual e tudo que envolve emponderamento feminino soa ofensivo. Num contexto histórico o homem potiguar é acostumado a mandar e nunca ser questionado.

Só que as mulheres potiguares estão ousando questionar e estão pagando com a própria vida, a cultura religiosa muito forte no Rio grande do norte, criou num imaginário popular que em nome de um casamento é preciso engolir agressões, abusos, traições podemos ver isso em casamentos mais antigos. A mulher potiguar sempre aguentou isso calada porém as coisas não são mais como a cinquenta anos atrás ,a mulher potiguar mudou assim como todas as mulheres do mundo .

Perder esse poder de controle para alguns homens é desesperador, como assim ela terminou comigo?, Como assim ela me denunciou?, Como assim ela está com outro e não comigo?. O resultado dessas perguntas doentias é a morte de mulheres no auge de suas vidas, o resultado disso são filhos com mães mortas e pais presos.

Nós mulheres  potiguares queremos viver, estanho pedir para viver ,não sabemos se vamos morrer na mão de um companheiro ou de um estuprador, não sabemos se vamos ter um braço quebrado por dizer um não na balada ,ou vamos ser mortas por conta de uma moto cobiçada por um ladrão. Nós não sabemos de nada mas sabemos que ser mulher e viver no Rio grande do Norte é um desafio.

Ou a Cultura muda ou continuaremos morrendo, é preciso desconstruir o machismo é preciso aceitar que as mulheres potiguares, não são as mesmas do tempo do coronelismo, é preciso que as mães, e os pais conversem com seus filhos sobre isso. E principalmente não achem normal a forma agressiva que seu filhos tratam as suas namoradas e esposas. 

Ou a sociedade se une, muda conceitos ou continuaremos perdendo nossas mulheres filhas, mães, esposas. Nessa onda de violência contra mulher, todos saem  perdendo, são vidas e famílias despedaçadas por um câncer chamado machismo continuaremos a morrer com esse câncer ou escolhemos viver sem ele? Eu quero viver, eu escolho viver.