22 de novembro de 2017

Resumo da Audiência Pública sobre Igualdade Racial em Macaíba

Foto: Jefferson Lázaro

Na tarde de ontem, terça-feira (21) a Câmara Municipal de Macaíba realizou uma Audiência Pública abordando o tema da Igualdade Racial na cidade. A audiência foi uma propositura do ver. Emídio Júnior e contou com a presença de grupos religiosos de matriz africana, quilombolas de Capoeiras e negros e negras que atuam em Macaíba em vários seguimentos da sociedade.

Confira abaixo um resumo das falas dos representantes, onde abordaram a luta do povo negro contra o racismo e a intolerância religiosa e propostas para organizar grupos que possam pensar a temática na cidade:

"[...]tenho certeza que depois dessa audiência muita coisa positiva para a igualdade racial no município vai acontecer, deixaremos enquanto coordenadoria, um pedido através do vereador Emídio para que essa casa [...] possa solicitar a criação do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Macaíba. [...] também estaremos pedindo que Macaíba crie sua coordenadoria de Igualdade Racial [...] a coordenadoria está a disposição para trazer ao município de Macaíba toda e qualquer iniciativa positiva que venha beneficiar as comunidades tradicionais do município."

Srg. Regina propôs a câmara municipal de Macaíba uma capacitação para os servidores e assessores dos vereadores, com o intuito de combater o racismo e a intolerância religiosa em janeiro de 2018. O presidente da câmara Gerson Lima comunicou que a câmara vai abraçar a iniciativa.


"É uma satisfação está aqui pela primeira vez [...] estou muito feliz, sou um pouco tímido, talvez pelo preconceito na escola, sofri uma certa descriminação por ser filho de pai de santo, por seguir uma religião de minoria, chamar o nome de Deus de Oxalá [...] sou uma prova viva de que o preconceito não abalou minha fé nem mudado meu caráter, fiquei mais convicto do que eu sou e do que eu tenho que seguir"


"Eu sou professora de primeiro ano em Macaíba (Mangabeira) [...] eu compreendo que cientificamente posso provar e falar disso, que eu posso discutir consciência negra da educação infantil ao ensino superior. [...] A consciência negra é uma discussão que faz parte da formação do povo brasileiro, que eu na condição de professora e todos os meus companheiros precisamos estar avisados disso, ter competência para discutir, para falar com quem quer que seja olho no olho [...] Parabéns a todos os membros de terreiro [...] somos negros, estamos aqui, somos a história do brasil [...] consciência negra todos os dias, eu sou professora farei todos os dias em todas as idades"


Seu Manoel, analfabeto, tinha um sonho de ver os seus sete filhos alfabetizados. Em meados dos anos 60, seu Manoel cela o seu jumento e vem até Macaíba ao lado de Zeca Irineu, pai do ex-vereador Zé Irineu, e vieram na casa da então prefeita Mônica Dantas e ele fez um pedido: queria apenas que lá fosse construída uma escola para que os meninos de capoeiras, juntamente com os filhos dele, fossem alfabetizados. E dona Mônica, numa atitude brilhante construiu a escola. (…) A escola se chama Santa Lúzia. Tenho certeza que Santa Lúzia não ficará com raiva de seu Manoel, se essa Câmara, daqui a um ano, aquela escola Santa Lúzia passar a se chamar Manoel Pedro de Moura.

"Eu não quero hoje intitular situação ou oposição, nós temos que levantar a bandeira do povo, a luta, da igualdade racial que nós temos que buscar para que a gente não possar sofrer descriminação nos terreiros [...] independente de cor partidária, que nós pudéssemos fazer essa Frente Parlamentar de Combate ao Preconceito e Descriminação Racial [...] espero que dessa audiência pública venha a sair bons frutos e que a gente possa, se Deus quiser, em momento oportuno, muito breve, poder aqui relatar os benefícios trazidos na noite de hoje."

"Estou aqui para somar [...] eu dei o primeiro passo na legislatura passada, apresentei o projeto de lei municipal solicitando o reconhecimento do dia municipal da consciência negra [...] o poder público executivo sofreu, porque a representação das nossas industrias  (foi contra) [...] não é fácil, eu pedi, o veto veio e voltou aqui [...] e o projeto teve o veto parcial e a casa por sua maioria apreciou. [...] A lei municipal é a 1807/2016 e eu fico muito feliz por ter dado esse passo."

Veja a audiência pública na íntegra