19 de janeiro de 2019

Queima de sutiã?

Por Andrea Nogueira - Potiguar Notícias

Olha só que interessante: a famosa “queima de sutiã” nunca envolveu fogo.

Ocorre que lá no século XX, quando as mulheres de classe média tiveram maior inserção no mercado de trabalho, as lutas por iguais salários e valorização da sua mão de obra foram significativas ao ponto de reacender lutas femininas.

Nos Estados Unidos, entre 1950 e 1960, aconteceu uma manifestação que se tornou emblemática. Até hoje muitos se referem a ela, apesar de desconhecê-la completamente. Sabe aquela coisa de “ouviu falar e passou adiante”? Pois é, foi assim com a “queima dos sutiãs” que NUNCA FORAM QUEIMADOS! Algumas pessoas não sabem o real significado deste dia e ficam espalhando ódio pelas lutas feministas.

Naquela época (1968), as mulheres chamadas feministas (pois se incomodavam com as diferenças salariais apesar de desenvolverem o mesmo trabalho dos homens, por exemplo) resolveram denunciar a exploração comercial da beleza feminina que oprimia outras por não terem características físicas “adequadas”.

Se bem que ainda hoje, em pleno século XXI ainda existe este tipo de exploração e opressão, escravizando a mulher com a “obrigação” de ser linda o tempo todo.

E “linda” significa... Como haveria um concurso de beleza, o Miss America de 1968, algumas mulheres aproveitaram a oportunidade para protestar e chamar a atenção da sociedade para um fato muito importante: que cada mulher tem sua própria beleza independente do peso, do formato do rosto, da cor dos cabelos, do tamanho dos cílios, da cor da pele, do tamanho das nádegas ou dos seios.

Assim, dispuseram no chão do local do evento SUTIÃS, sapatos de salto alto, cílios postiços, maquiagens, revistas femininas, tintas para o cabelo, cintas e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina.

A "queima" propriamente dita nunca ocorreu, já que o espaço era privado, não sendo autorizada.

Porém, a atitude das manifestantes foi verdadeiramente incendiária, tornando o evento lendário, lembrado até hoje, infelizmente com muitas interpretações destorcidas.

Na época, o New York Post publicou a notícia com o seguinte título: “BraBurners and Miss America” (Queimadoras de Sutiãs e Miss América). E a notícia se espalhou destorcida. Desde então, a sociedade costuma ligar feministas à “queima de sutiãs”.

Após o evento emblemático, e já com uma forma de manifestação incompreendida, houve queimas reais de sutiãs em algumas partes do mundo como forma de “relembrar” o ocorrido no Miss America de 1968 e frisar que mulheres não são objeto de opressão comercial ou social.

Hodiernamente, muita gente fala com raiva da “queima de sutiãs” que jamais aconteceu. Nem se informam sobre o que realmente houve naquele dia, ou sobre as motivações do protesto.

Não sabem o que é feminismo e ainda o confundem com Femismo. Essas pessoas também não sabem o que aconteceu após o Miss America/68. As notícias da imprensa, claro, são seletivas e o mais importante na época foi informar sobre o “espetáculo” promovido por mulheres.

Aquele lendário dia e tantos outros eventos de luta feminina que o sucedeu foram significativos para que mulheres no ano 2019 possam continuar a escolher quem querem ser.

“Queimar o sutiã” ganhou vários significados. Para alguns, significa frisar a importância da mulher ao lado do homem, jamais acima ou abaixo dele. Para outros, significa lembrar de loucas incendiárias que odeiam homens. Estudar a história dos acontecimentos nos ajuda no exercício da tolerância, na convivência com os diferentes e na compreensão das lutas. 

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