28 de março de 2020

MACAÍBA NUMA ÉPOCA EM QUE OS JOVENS PENSAVAM E FAZIAM A CULTURA ACONTECER



Nesses dias de reclusão do Coronavírus, estou aproveitando para ler livros, estudar e, principalmente, organizar meu arquivo de velhos jornais sobre Macaíba. E, nesses dias, estou me debruçando sobre “O Macaibense”, informativo alternativo que circulou de outubro de 1983 até a década de 1990.

Na edição n.º 7, de março de 1984 (portanto, há exatos 36 anos), eis que uma capa me chamou a atenção: a imagem de seis jovens que faziam teatro em Macaíba – Júscio Marcelino de Oliveira, Aluísio Sílvio Soares, Josenete Gonçalves, Ismarlete Duarte, Cláudia Castro e Geraldo Cavalcanti. Júscio afirma que a foto foi tirada na Praça da Saudade, supostamente por Adão Varela Revoredo, que tinha um estúdio de fotografia nos anos 80.

Juntos, eles formavam o Grupo Teatral LIBERDADE, que na ocasião havia estreado a peça “O que será da Severina?”, que fez muito sucesso na época, inclusive num evento promovido pelo Conselho Comunitário do Conjunto Alfredo Mesquita Filho, que tinha à frente o presidente Djalma Alves de Assis. A peça foi apresentada de frente à residência de Maria Mariola Eufrásio Timóteo (dona Baló), no dia 1º de abril de 1984.

Sobre militar no movimento cultural macaibense da época, Júscio Marcelino relembrou que as dificuldades sempre são as mesmas dos dias atuais. “Não mudou de maneira alguma. O que existia era ‘muito atrevimento’. Eu sempre fui um jovem muito, eu acho, além do meu tempo, sempre pensando arte além daquele tempo; daquele momento de quem estava vivendo. Minha intenção era produzir, produzir, produzir. E éramos jovens que pensavam cultura e fazíamos acontecer”.

Sobre “O Macaibense”, Júscio relembra que trabalhou por muito tempo com o saudoso editor José Félix Barbosa (1931-2000), na extinta SECTUR – Secretaria de Cultura e Turismo, que funcionava no primeiro andar do Centro de Abastecimento (hoje, chamado de “Mercado Velho”). Lá, além da SECTUR, funcionavam a Liga Macaibense de Desportes (LMD), ao qual José Félix era presidente; e a Junta Militar. Félix era responsável pela SECTUR e a LMD (que não era uma secretaria, mas uma entidade representativa do desporto local, que tinha o apoio do poder público municipal). Segundo Júscio, quando a LMD foi transferida para outro lugar, quem assumiu a sala foi a Banda de Música Municipal.

Além de José Félix e Júscio, trabalhavam Adão Varela Revoredo, Manoel Guedes da Fonseca Filho (Guedinho, in memoriam) e outros. Foi um período muito produtivo e o ambiente de trabalho era divertido. “Era hilário demais”, recorda Júscio Marcelino.

Vinculado à gestão municipal da então prefeita Odiléia Mércia da Costa Mesquita (1983-1988; e 1993-1996), o jornal era editado por José Félix, carinhosamente chamado de “o Môco”.

Juscio relembra com carinho que as matérias e notas da publicação “era a forma que Félix usava para engrandecer as pessoas com quem ele dialogava e convivia”. Ele criava títulos às manchetes que faziam com que a pessoa que estava sendo divulgada se sentisse valorizada. “Era o mundo dele. E era impressionante”, finalizou Júscio Marcelino.

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